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BALADA LITERÁRIA - de 19 a 22 de novembro, na Vila Madalena


A BALADA LITERÁRIA chega ao quarto ano e comemora em grande estilo. E com grande literatura. É quase uma centena de artistas, nacionais e internacionais, em mesa de debate, em mesa de bar, no palco, trocando ideias, festejando lançamentos.


O homenageado desta edição é o escritor paulistano JOÃO SILVÉRIO TREVISAN, que acaba de lançar, pela Editora Record, o romance Rei do Cheiro. “Sempre fazemos um brinde a um autor vivo, que julgamos importante para o espírito-clima da Balada”, diz o escritor pernambucano Marcelino Freire, criador e organizador do evento, ao lado da Livraria da Vila e com o apoio do SESC Pinheiros, da Biblioteca Alceu Amoroso Lima, do Centro Cultural b_arco, do Itaú Cultural e dos bares Mercearia São Pedro e Ó do Borogodó. E que, desde 2006, já reuniu, entre outros, Adélia Prado, Angeli, Antonio Cândido, Chico César, Cristovão Tezza, David Toscana, Efraim Medina Reyes, Fernando Bonassi, José Luandino Vieira, José Miguel Wisnik, Luis Fernando Verissimo, Mario Bellatin, Moacyr Scliar, Paulo Lins, Sérgio Sant’Anna e Tony Belotto.


Desta vez, de 19 a 22 de novembro, estarão na Vila Madalena Mário Prata, João Gilberto Noll, Marcelo Coelho, José Luís Peixoto, Francisco Alvim, Márcio Souza, Reinaldo Moraes, Raimundo Carrero (que também coordenará uma oficina de criação), Michel Melamed, Lira Neto, Chacal, etc.


Na sexta, 20 de novembro, haverá, no auditório do SESC Pinheiros, um show com o jovem pianista pernambucano Vitor Araújo e com os cantores Fabiana Cozza e Rubi, numa homenagem ao Dia da Consciência Negra e aos 50 anos de carreira de João Ubaldo Ribeiro, que aparecerá na RESSACA LITERÁRIA, que sempre acontece logo após a Balada (veja programação a seguir).


Também, no domingo, dia 22, está programada uma mesa em homenagem a Lygia Fagundes Telles, marcando o relançamento de toda a sua obra, iniciado este ano.


De novidades para esta edição, Freire destaca a presença de dois autores venezuelanos, marcando um começo de parceria: “o escritor Santiago Nazarian irá a Caracas no comecinho de novembro participar de uma minibalada literária que rolará por lá. No ano que vem, esse intercâmbio se fortalecerá e a nossa Balada, inclusive, ganhará edições em outras capitais brasileiras”, promete o anfitrião.


Acompanhe a programação em: http://baladaliteraria.zip.net/

Metalinguagens por Deni Ribeiro Prado

Ler o ABC do Mundo Árabe, de Paulo Daniel Farah, me possibilitou uma viagem pelo mundo árabe, identificando elementos específicos desse povo que na sua diversidade apresenta suas semelhanças. Pensar no espaço como o Hamman ideal para negócios e confraternizações, perceber a importância do árabe, como a língua utilizada no Islã, sem esquecer o espaço onde os mulçumanos se reúnem para orar, as mesquitas. Imagine um local onde tudo pode ser encontrado, estou falando do Suq, oras ficou curioso? Leia o livro inteiro, pois é uma leitura rápida e saborosa, que apresenta belíssimas ilustrações e nos aproxima de uma cultura tão marcante em nossa sociedade.


Os contos no livro Ulomma – a casa da beleza e outros contos de Sunny é possível observar o quanto de magia é utilizada para explicar fatos e acontecimentos. Em Ulomma a casa da beleza, apresenta a história de Ulomma uma das esposas do rei que não conseguia engravidar, isso na cultura africana era inaceitável, contudo no decorrer do conto relata como foi possível a gravidez do tão desejado herdeiro do rei.

Em Unu Nile - todos vocês, o conto apresenta porque o casco da tartaruga apresenta-se todo remendado, além de abordar questões sobre valores.

Já em Okpija o conto serve para apontar o quanto a vaidade pode ser um sentimento negativo.

Em Inine apresenta-se a importância da determinação, quando perdemos o foco do nosso objetivo perdemos a possibilidade de alcançar o que desejamos.

Em Olukwe – homem da lua destaca que o trabalho é importante, mas não é tudo. Devemos ter discernimento para não cometer exageros.



Na obra, Histórias trazidas por um cavalo marinho, há o uso de contos para compreender certos fenômenos da vida. Em “O livro amarelo com páginas brancas” apresenta o aspecto de que o olhar pode estar viciado e fazer com que não vejamos a beleza que há na diversidade, mas para enxergar melhor é necessário ter sonhos, a máquina de transformar o mundo.

Em “O pastor de pássaros”, o encantamento que as palavras nos causam em viajar por descrições de imagens imperdíveis possibilita compreender a importância de que tudo se transforme dentro de nós mesmos, e que podemos mudar nossa condição de pastor para navegador. Lindo!

Já em “O nome do sol”, destaca o quanto não damos importância para a natureza, contudo ela nos cobra sobre ações que não realizamos. Devemos ter claramente a consciência de que recursos naturais devem ser respeitados.

Em “O menino de argila”, retrata a história de um artesão frustrado com suas obras que não tinham vida, criando um desafio a senhora das águas; que ao seu peixe respirar, ele daria seu filho para ela. Contudo o filho do artesão bem esperto usou de sua astúcia para fugir e retornar para seus pais.

Todos os contos nos aproximam de questões da humanidade e nada mais é do que transmissão de valores com o uso das histórias maravilhosas.



Amkoullel, O Menino Fula, de Amadou Hampaté Ba, retrata tradições do mundo árabe no contexto africano. Rico de lições de vida e de valorização dos laços de família este é o livro que vem desmistificar a organização das sociedades africanas e seu contato com o povo europeu, sem perder na essência o preço da manutenção de suas tradições, espaços em que as relações são estabelecidas por princípios étnicos, presentes no uso da palavra.

Um verdadeiro livro de aventuras, narrado de forma simples. É detalhista, faz uso de palavras e situações características desse povo. É uma viagem que vale à pena.

A minha Totonha


"... Quero dizer que eu tenho a minha Totonha (todos nós temos,é só se esforçar para lembrar), minha mãe contava-me suas histórias do interior de Minas Gerais como se voltasse a viver aqueles momentos.Entre risos e choro ela falava de seus costumes da infância e do trabalho no canavial. Ela era como uma escrava branca do engenho da narrativa de José Lins.

Embora hoje em dia essas histórias tenham se cessado junto com a minha infância, eu não me esqueço do brilho de seus olhos, que deviam na certa,estar a refletir os meus.

Ah! Já ia me esquecer do que até hoje ela diz: 'Com os momentos bons, a gente tem que ficar feliz e com os momentos ruins, a gente tem que ficar ainda mais feliz, por os termos superado'."


Leila Castro

"Nossos passos vêm de longe"...


Provavelmente tenham começado com Luzia e continuaram com Theodosina Rosário Ribeiro, Claudete Alves, Jurema Batista, Francisca Trindade, Benedita da Silva, Telma de Souza, Marina Silva, Lélia González, Maria Beatriz Nascimento, Sueli Carneiro, Zezé Mota, Elisa Lucinda, Via Negromonte, Sandra de Sá, Alcione, Watusi, Rosa Maria, Leci Brandão, Jovelina Pérola Negra, Eliana Pitman, Clara Nunes, Alaíde Costa, Leny Andrade, Elza Soares, Dolores Duran, Aracy de Almeida, Ivone Lara, Chica Xavier, Neuza Borges, Ruth de Souza, Pinah, Margarete Menezes, Daúde, Paula Lima, Virgínia Rosa, Mart’nália, Luciana Mello, Matilde Ribeiro e centenas, talvez milhares de outras comprometidas e unidas na luta em tantos coletivos de mulheres negras pelo Brasil inteiro. Tantas outras não citadas, porém igualmente atuantes e importantes. Nós. Continua conosco.

O último dia do nosso curso - espero que seja nosso primeiro de muitos outros cursos - foi maravilhoso.

Eu havia passado uma semana de muitos problemas de saúde e ainda não me sentia muito bem, mas ao menos durante aquelas horas eu estive curada. Até comi acarajé. Quente...

Em algum momento conversávamos - Nilda, Neide e eu - sobre mulheres negras e a falta de “quadro” de que sofremos. Naquele momento me lembrei do maravilhoso livro que estava comigo já há algumas semanas, emprestado por um amigo, e que é simplesmente um documento e tanto sobre este tema.

Mulheres negras do Brasil. O livro faz parte do projeto Mulher, 500 anos atrás dos panos e apresenta inúmeras experiências das mulheres negras e sua participação no processo histórico, social, político e cultural do nosso país.

Nem comentei nada. Fiquei com vergonha. De novo a vergonha por ter separado tantos materiais, lido alguns e ainda não ter escrito nenhuma linha a respeito. Meu diário de leituras e descobertas ainda permanecia em branco... Decidi, naquele momento, que iniciaria por aí. Por este livro maravilhoso por suas palavras e imagens.

Consegui. Comecei. As palavras iniciais deste texto foram baseadas em uma leitura inspiradora da mencionada obra, apesar de bastante dinâmica e transversal.

Fiquei muito feliz. Como está escrito, há centenas, talvez milhares de outros nomes que não foram citados. Nós temos quadro sim, Nilda. Fique tranqüila. Podemos “estar por nossa própria conta”, mas não estamos sozinhas.

Ana Paula Ribeiro


Schumaher, Schuma; Brazil, Érico Vital. Mulheres negras do Brasil. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2007.

As duas moças bonitas como melancias


Logo na introdução do conto, onde há a descrição da aldeia onde viviam as duas moças, lembrei de uma idéia presente em muitas tradições: a fartura como felicidade de um povo.

Também me lembrei de um fato curioso que me aconteceu em relação à MELANCIA.

Fui participar de uma seleção para uma empresa na qual sempre almejei trabalhar, pelo simples fato de que seu endereço era, nada mais e nada menos, no centro empresarial do Jardim São Luís, a referência local de sucesso profissional.

Pois bem. Eu, com meus 17 anos, fui submetida a vários testes psicológicos típicos de seleções de RH, como exercícios de lógica, dinâmicas e, é claro, uma redação! Aí é que entra a MELANCIA, pois na redação fora pedido que o candidato dissertasse sobre uma fruta que gostaria de ser.

Pensei, pensei e escolhi a... MELANCIA! Justifico-me. Esta fruta é para mim a que mais oferece dádivas em fartura para o homem, com muita água, polpa e sementes. Então, logo relacionei toda essa fartura com o meu potencial a ser dedicado à tal empresa.

Resultado: não fui selecionada para a vaga. Matutei durante anos sobre qual teria sido meu erro e sempre culpava a MELANCIA!

Hoje em dia tenho uma hipótese embasada na crítica de nossa visão de mundo ocidental e capitalista. Ao se deparar com meu perfil, entende-se, mulher jovem negra e moradora da periferia que cercava o "forte empresarial", o selecionador logo relacionou minha vontade em ser MELANCIA com futuros problemas para a empresa...

Provavelmente, para ele, toda essa minha "fartura", principalmente de sementes, representaria muitas licenças-maternidade!