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Novelas brasileiras passam imagem de país branco, critica escritora moçambicana

"Temos medo do Brasil." Foi com um desabafo inesperado que a romancista moçambicana Paulina Chiziane chamou a atenção do público do seminário A Literatura Africana Contemporânea, que integra a programação da 1ª Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília (DF). Ela se referia aos efeitos da presença, em Moçambique, de igrejas e templos brasileiros e de produtos culturais como as telenovelas que transmitem, na opinião dela, uma falsa imagem do país.

"Para nós, moçambicanos, a imagem do Brasil é a de um país branco ou, no máximo, mestiço. O único negro brasileiro bem-sucedido que reconhecemos como tal é o Pelé. Nas telenovelas, que são as responsáveis por definir a imagem que temos do Brasil, só vemos negros como carregadores ou como empregados domésticos. No topo [da representação social] estão os brancos. Esta é a imagem que o Brasil está vendendo ao mundo", criticou a autora, destacando que essas representações contribuem para perpetuar as desigualdades raciais e sociais existentes em seu país.

"De tanto ver nas novelas o branco mandando e o negro varrendo e carregando, o moçambicano passa a ver tal situação como aparentemente normal", sustenta Paulina, apontando para a mesma organização social em seu país.

A presença de igrejas brasileiras em território moçambicano também tem impactos negativos na cultura do país, na avaliação da escritora. "Quando uma ou várias igrejas chegam e nos dizem que nossa maneira de crer não é correta, que a melhor crença é a que elas trazem, isso significa destruir uma identidade cultural. Não há o respeito às crenças locais. Na cultura africana, um curandeiro é não apenas o médico tradicional, mas também o detentor de parte da história e da cultura popular", destacou Paulina, criticando os governos dos dois países que permitem a intervenção dessas instituições.

Primeira mulher a publicar um livro em Moçambique, Paulina procura fugir de estereótipos em sua obra, principalmente, os que limitam a mulher ao papel de dependente, incapaz de pensar por si só, condicionada a apenas servir.

"Gosto muito dos poetas de meu país, mas nunca encontrei na literatura que os homens escrevem o perfil de uma mulher inteira. É sempre a boca, as pernas, um único aspecto. Nunca a sabedoria infinita que provém das mulheres", disse Paulina, lembrando que, até a colonização européia, cabia às mulheres desempenhar a função narrativa e de transmitir o conhecimento.

"Antes do colonialismo, a arte e a literatura eram femininas. Cabia às mulheres contar as histórias e, assim, socializar as crianças. Com o sistema colonial e o emprego do sistema de educação imperial, os homens passam a aprender a escrever e a contar as histórias. Por isso mesmo, ainda hoje, em Moçambique, há poucas mulheres escritoras", disse Paulina.

"Mesmo independentes [a partir de 1975], passamos a escrever a partir da educação européia que havíamos recebido, levando os estereótipos e preconceitos que nos foram transmitidos. A sabedoria africana propriamente dita, a que é conhecida pelas mulheres, continua excluída. Isso para não dizer que mais da metade da população moçambicana não fala português e poucos são os autores que escrevem em outras línguas moçambicanas", disse Paulina.

Durante a bienal, foi relançado o livro Niketche, uma história de poligamia, de autoria da escritora moçambicana.
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-04-17/novelas-brasileiras-passam-imagem-de-pais-branco-critica-escritora-mocambicana#.T43pcxldxyY.facebook

Que histórias a capoeira canta ?

Gravura de Carybé. Capoeira vinil, 1981
As Histórias que a capoeira canta e Quem vem lá, sou eu! - os capoeiras nas rodas da vida, são temas de palestras no III Festival Sul-Americano da Cultura Árabe, dia 31/03/12, sábado, às 10h, em São Paulo.

Mauricio Acuña falará sobre “As Histórias que a capoeira canta”. Reconhecida com símbolo de identidade nacional, a capoeira como a conhecemos hoje, é fruto das ações a imaginações cruzadas de capoeiristas e intelectuais. O objetivo desta palestra é compartilhar algumas das estratégias pelas quais a capoeira baiana passou a ser imaginada como símbolo da identidade brasileira por intelectuais e capoeiristas entre as décadas de 1930 e 1960. Busca-se para isso, respostas a duas principais questões: quais foram os aspectos que levaram alguns intelectuais do período a se debruçarem sobre a capoeira baiana, selecionando, para isso, certos traços, especialmente sua característica musical, na busca de interpretá-la como um símbolo de identidade regional e nacional? Como alguns dos principais capoeiristas baianos exploraram as relações e interpretações destes intelectuais e representantes do poder, confirmando ou contrariando suas idéias?

Já o “Quem vem lá, sou eu! - os capoeiras nas rodas da vida”.  Será abordado por Maurício Germano que antecipa: no Brasil, o negro feito escravo adaptou sua cultura e costumes para mantê-los vivos, dando origem a outras manifestações (samba, candomblé, capoeira...) de valores vitais para a compreensão do panorama que se formou nos séculos coloniais. Essa palestra narra como a capoeira, um "jogo de luta dançada", torna-se arma eficaz no combate à opressão, pontuando definitivamente a sua importância sociocultural.

III Festival Sul-Americano da Cultura Árabe

Realizado anualmente entre 18 e 31 de março, o Festival Sul-Americano da Cultura Árabe, promovido pela BibliASPA,  tem como objetivo refletir sobre as manifestações culturais árabes e as contribuições dos imigrantes. A intenção é fortalecer o vínculo entre a América do Sul e os Países Árabes com base no respeito à diversidade cultural e nos laços históricos, além de promover a cultura da paz por meio da aproximação dos povos.

A programação inclui atividades diversificadas tais como exposição de caligrafia árabe, de fotografia e outras expressões artísticas, mostras de cinema, palestras, debates, contação de histórias, mediação de leitura, entre outros

SERVIÇO:
Quando: 31/03, sábado, às 10h
Onde: Espaço BibliASPA – Rua Baronesa de Itu, 639 – Sta. Cecília, SP
Realização: BibliASPA
Inscrição prévia, gratuita: comunicacaobibliaspa@gmail.com (011) 3661 0904

Palestrantes

Mauricio Acuña é Bacharel (2006) e Licenciado (2010) em Ciências Sociais pela FFLCH. Mestre em Antropologia Social pela mesma instituição (2011) com estudo "Entre rodas de capoeira e círculos intelectuais: disputas pelo significado da capoeira no Brasil". Desenvolve pesquisas na fronteira entre História e Antropologia com ênfase na relação entre cultura popular, intelectuais e Pensamento Social Brasileiro. Atualmente, coordena estudo sobre aspectos socioeconômicos, culturais e históricos do Parque Perequê em Cubatão, integrando a equipe do Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente da Universidade de São Paulo.

Maurício Germano é professor de educação física e mestre de capoeira. Atua em escolas estaduais e particulares.



"Ôh lelê, molibá, makasi" - Songs from the Baobab


Canções dos Baobab: Lullabies africanos e Nursery Rhymes é um CD de música storybook compilado por Chantal Grosléziat, organizado por Paul Mindy e ilustrado por Elodie Nouhen.

Este título apresenta uma compilação original de 29 músicas que abrangem 10 diferentes países, como Costa do Marfim, Ruanda e Senegal. Originário da África Central e Ocidental, essas canções de ninar rítmicos são cantadas em 11 idiomas diferentes. As canções carregam rimas suaves com uma variedade de vozes executadas por homens, mulheres e crianças. As ilustrações exuberantes e coloridos adicionar o tom harmonioso do livro de contos, enquanto a música cativa com uma qualidade melódica.

Cada canção conta uma história ou transmite um clima de diálogo entre mãe e filho. As rimas e harmonias são acompanhados por instrumentos Authenic nativas da região. As letras são cantadas em suas respectivas línguas e são traduzidas em Inglês. Cada canção é seguida por uma breve descrição da história cultural (origem) por trás da canção. As letras transmitem a qualidade nuturing e honrar as tradições da música.

Coleção História Geral da África – 8 volumes para download

Segundo a UNESCO, o objetivo da tradução da obra é fazer com que professores e estudantes lancem um novo olhar sobre o continente africano e entendam sua contribuição para a formação da sociedade brasileira. Acesse: http://migre.me/7Aj8o

Oswaldo de Camargo fala sobre literatura negra no Brasil

Quando surge essa literatura negra no Brasil? É possível identificar suas fases até os dias atuais?
Oswaldo de Camargo - Ela começa a existir a partir do momento que o negro olha para si mesmo e passa a contar como negro suas experiências particulares, suas memórias, sua vida, suas diferenças, sua identidade, mesmo que esta escrita tenha como base um português camoneano. A grosso modo podemos iniciar este movimento com Luís Gama ao escrever o poema "Bodarrada", que traz o problema da identidade negra. Um texto como "Bodarrada" só poderia ter saído de um negro. O branco não pode idealizar isto, pois o autor está trazendo sua experiência particular de negro. É verdade que podemos citar, no século XVIII, Domingos Caldas Barbosa, mas aí de uma maneira mais enfraquecida, o "Eu", mesmo, aparece apenas com Luís Gama. Depois vem Cruz e Souza com "Consciência Tranqüila", "Escravocratas" e sobretudo "Emparedado". Essas obras são particularíssimas, jorram de dentro de um "Eu" negro.
Ninguém vive a morte do outro, a vida do outro, ou o sonho do outro. No caso, o negro resolveu escrever olhando para si, com sua visão particular. E esta visão particular é provocada. Ela quer ser particular. Ele quer ser negro. Ele escolhe entre os vários temas de seu interesse, a parte humana ligada ao negro. Pode ser uma fase? Pode. E essa fase é necessária, pois a visão que o Brasil teve (e ainda tem) do negro foi dada por escritores brancos. Por bons escritores até, como Jorge Amado, por exemplo, que sempre tratou de negros em suas obras. Porém, alguns textos que escrevo, jamais poderiam ser escritos por ele ou por outro escritor branco. Por faltar-lhes o particularismo de viver uma experiência negra. E por que não se fala isso do branco? Porque o branco vive com naturalidade sua identidade. O negro não. A identidade do negro foi perdida ao ser encravada num mundo ocidental, onde as regras do belo foram ditadas pela Grécia, por Roma, pela Bíblia, pela religião católica e etc.
Leia mais: http://www.portalafro.com.br/literatura/oswaldo/oswaldo.htm

I COLÓQUIO INTERNACIONAL ÁFRICAS,LITERATURA E CONTEMPORANEIDADE - de 07 a 11 de novembro de 2011

PROGRAMAÇÃO GERAL

Sessão de abertura.

Data: 07/11 (segunda-feira).

Horário: 19h30.

Local: Sala 24 do Prédio de Filosofia e Ciências Sociais.



Mesa 01: Áfricas, culturas e ensino

Coordenação: Prof. Dr. Benjamin Abdala Junior

Participantes: Profas. Dras. Fernanda Cavacas

(Universidade de Aveiro) e Mônica Lima e Sousa

(UFRJ)

Resumo: A mesa pretende focalizar aspectos culturais e relações entre o Brasil e o continente

africano, propondo formas de abordar a Literatura e a História nos vários níveis de ensino.

Data: 08/11 (terça-feira).

Horário: 14:30 horas.

Local: Sala 266 do Prédio de Letras.



Mesa 02: Perigosas relações: marcas da colonialidade em tempos pós-coloniais

Coordenação: Profa. Dra. Rita Chaves

Participantes: Profa. Dra. Manuela Ribeiro

Sanches (Universidade de Lisboa) e Prof. Dr. Omar

Ribeiro Thomaz (UNICAMP)

Resumo: A mesa pretende colocar em foco os impasses legados pela experiência colonial, tendo em conta as perspectivas da História, das Ciências Sociais e da Literatura.

Data: 09/11 (quarta-feira)

Horário: 9:30 horas.

Local: Sala 24 do Prédio de Filosofia e C. Sociais.



Mesa 03: O Império e a Memória: formas de resistência e representação

Coordenação: Profa. Dra. Salete Almeida Cara

Participantes: Profa. Dra. Tania Macêdo (USP) e

Prof. Dr. José Luís Cabaço (Universidade Técnica

de Moçambique)

Resumo: A mesa visa a iluminar dois aspectos importantes do Império Colonial Português: a questão do trabalho, fundamental para a relação entre colonizador e colonizado, e a da cultura e formação, na metrópole, de organizações de resistência ao colonialismo

Data: 09/11 (quarta-feira).

Horário: 19:30 horas.

Local: Sala 266 do Prédio de Letras.


MESA 04: Projeção do filme “A Ilha dos Espíritos”, de Licínio Azevedo

Coordenação: Profa. Dra. Tania Macedo

Participantes: Profs. Drs. Benjamin Abdala Jr,

Emerson Inácio, Fabiana Carelli, Fernando Arenas,

José Luís Cabaço e Rita Chaves


Sinopse do filme: Para contar a história da Ilha de Moçambique, neste documentário, intervêm um historiador especializado nela e um arqueólogo marítimo que traz à superfície tesouros há muito perdidos em naufrágios. O quotidiano dos seus habitantes, atividades, hábitos, cultura, é dado a conhecer por inúmeros outros personagens: um pescador que relata as aventuras na

sua frágil embarcação, o porteiro da ilha, que controla quem entra e sai pela ponte que a liga ao continente; uma famosa dançarina e animadora cultural; uma colecionadora de capulanas e jóias; uma conhecedora dos seres mágicos que povoam o imaginário coletivo dos ilhéus. Uma pequena ilha, uma grande história. Muito antes de dar nome ao país, durante séculos, a Ilha de Moçambique teve um papel fundamental no Oceano Índico.

Pontos para o debate: A Ilha como espaço de troca e a sua relevância na História de Moçambique; a Ilha na perspectiva dos historiadores e na visão dos poetas; a força do passado da Ilha e os dilemas do presente.


Data: 10/11 (quinta-feira).

Horário: 14:00 horas.

Local: Sala 266 do Prédio de Letras.

MESA 05: África, culturas e contemporaneidades globais

Coordenação: Prof. Dr. Mário Lugarinho

(Universidade de São Paulo).

Participantes: Profs. Drs. Sílvio Renato Jorge (UFF) e Fernando Arenas (Universidade de Michigan)

Resumo: A mesa pretende discutir manifestações culturais contemporâneas nos países africanos de Língua Portuguesa, diversas à literatura, que definem uma perspectiva cultural pós-colonial

Data: 11/11 (sexta-feira).

Horário: 14:30 horas.

Local: Sala 260 do Prédio de Letras.


MESA 06: Literatura de Cabo Verde e a interface com outras artes e saberes

Coordenação: Profa. Dra. Simone Caputo Gomes (USP).

Participantes: Embaixador Daniel António Pereira (Embaixada da República de Cabo Verde na República Federativa do Brasil) e Prof. Dr. Jorge Vicente Valentim (UFSCar).

Resumo: A mesa tem como objetivo refletir acerca da literatura cabo-verdiana na relação com a cultura crioula, a história do país e com outras artes, como a música.


Histórias e Contos Afro-Brasileiros

Duas contadoras entram em cena com pequenos instrumentos e cantando músicas histórias e mitos afro-brasileiros. De forma dinâmica, uma delas começa a contar uma história, que é sempre complementada pela outra contadora com vozes, elementos sonoros e comentários que a primeira contadora pode ter “esquecido” de narrar. Com a Cia. Dona Conceição. Itinerante pela Unidade

SESC Carmo - SP
Dia(s) 04/11, 11/11, 18/11, 25/11
Sextas, às 12h

Afro-Ásia disponibiliza duas novas edições em site

Afro-Ásia é, desde 1965, a revista semestral do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (Salvador, Brasil). Esta publicação dedica-se à divulgação de estudos relativos às populações africanas, asiáticas e seus descendentes no Brasil e alhures.

Os números 40 e 41 da revista Afro-Ásia já estão disponíveis,em PDF, no site www.afroasia.ufba.br.

História das Mãos

Ao som de um Korá, a "História das Mãos" revela uma sabedoria primorosa,  click no link abaixo:
http://videos.sapo.pt/Z6huMoJAEn5eo7OjzV0S

Griots, os guardiões da história oral

Na tradição africana, são os griots, não os livros, que transmitem a história de um povo ao longo dos tempos
Igor Ojeda

de Ndièyenne Sirakh (Senegal)

Alguns anos atrás. Então, a avó de Mandiaye decidiu se casar com uma árvore.
Em idade avançada, tinha acabado de ficar viúva, e a tradição islâmica, religião do esposo recém-falecido, determinava que contraísse matrimônio outra vez. Mas ela, animista, não queria outro homem. Após receber a permissão por um sonho que tivera, mandou plantar uma muda de baobá no quintal de casa. O baobá que seria seu futuro marido.

Um sábado de fevereiro de 2011. Sob uma tenda de madeira e palha, Mandiaye Ndiaye explica as bases do animismo, a religião de 1% dos senegaleses e presente em muitos países africanos e ao redor do mundo. É um sábado de sol e estamos na vila de Diol Kadd, uma das 32 da Comunidade Rural Ndièyenne Sirakh, na província de Khombolé, no interior do Senegal. A tenda de madeira e palha é o local onde os sábios animistas se reúnem. Logo ao lado, está a mesquita da vila, de tijolo, mas sem telhado. O islamismo e o animismo convivendo no mesmo espaço.
Nas últimas décadas, a animismo foi perdendo força no Senegal, embora tanto o islamismo (professado por cerca de 90% da população) quanto o cristianismo (algo em torno de 9%) incorporaram alguns de seus elementos.
Mandiaye conta que o animismo não é uma religião dogmática. Cada seguidor acredita em seu deus, professa sua fé a sua maneira. Os deuses podem ser qualquer coisa, concreta ou abstrata. Uma pessoa, um animal, uma árvore. Uma pedra. O sonho. O da família de Mandiaye era justamente o sonho. E quem os interpretava em Diol Kadd era a avó de Mandiaye.

Algumas horas mais cedo. É por volta das sete e meia da manhã que se inicia o dia na vila de Diol Kadd. Estamos no inverno do hemisfério norte, e o sol acaba de sair. Não há luz elétrica; os 500 habitantes locais dormem logo que anoitece e despertam assim que amanhece. Entre as ruas de areia da vila, começam a aparecer pouco a pouco as pessoas. Uma vendinha abre suas portas. Uma menina compra uma baguete para o café da manhã. Dois homens tocam cabras nos arredores. Um senhor observa a movimentação sentado em uma raiz de árvore. Uma mulher passa com seu filho pendurado nas costas.

A população de Diol Kadd vive basicamente da agricultura e do pastoreio, assim como mais de 60% dos senegaleses. Planta amendoim, sêmola, uma espécie de feijão e uma erva local. Cria vaca e cabra. Uma parte da produção é para consumo local, a outra é vendida. O Senegal é um grande exportador de amendoim. E o cuscuz, feito da sêmola, é um dos pratos nacionais. Com a erva, fazem chá.

Mas, segundo a organização Social Watch Senegal, o país é o que mais tem problemas de soberania alimentar da África Ocidental, situação que vem sendo agravada pelo aumento dos preços do petróleo – que faz crescer os custos de produção – e das superfícies de terra destinadas para a produção de agrocombustíveis, por exemplo. Hoje, ainda segundo a Social Watch Senegal, o país do oeste africano importa de 70 a 80% do arroz que consome, 100% do trigo e 50% dos demais cereais.

Desde os anos 1990, o Senegal vem sendo um dos melhores “alunos” de instituições como FMI e Banco Mundial. Assim, no período, o governo pôs em marcha uma série de privatizações, destacando-se a das empresas públicas de água, telecomunicações e energia.

Na área alimentar, o Executivo senegalês extinguiu a Sonagraines, a empresa responsável pela comercialização do amendoim, e estruturou uma rede de 400 comercializadores privados do produto, deixando seus cultivadores à mercê desse setor.

Durante o café da manhã. Mandiaye conta que a vila de Diol Kadd está dividida entre progressistas e tradicionalistas. Literalmente: uma rua separa as casas dos dois lados. Os desentendimentos se dão, principalmente, na forma de se cultivar os alimentos. Segundo Mandiaye, há alguns anos houve um grande debate na aldeia sobre o melhor momento para se fazer o semeio. Começava a época de chuvas na região e, por isso, os progressistas queriam começar a plantar imediatamente. Já os tradicionalistas defendiam que era preciso se observar o comportamento dos insetos. Eles “diriam” qual a hora mais adequada para semear.

Não houve acordo. Então, cada grupo seguiu seu rumo. Os progressistas plantaram por aqueles dias, enquanto os tradicionalistas esperaram por mais duas semanas. Mandiaye conta que, na hora da colheita, nenhum dos lados se deu bem. Chuvas torrenciais inundaram a plantação dos primeiros, enquanto uma forte seca arruinou o cultivo dos segundos. “Foi uma lição para mostrar que não se deve ser radical em suas posições e pensamentos. Deve-se encontrar sempre um meio termo”, sentencia.

Ano de 2002, na Itália. Contar uma história é mais do que uma ação ordinária para Mandiaye. É seu dom. Sua missão na Terra. Mandiaye é um griot, aquele que na tradição do oeste africano é o escolhido para transmitir oralmente a cultura e a história de seu povo. Ele explica que na cultura ocidental, é preciso ver para crer. “Se não está escrito, não é nada.” Já o animismo é a invisibilidade, o inexplicável. “Manter o invisível é manter viva a fé”, diz.

Segundo Mandiaye, antigamente, durante os impérios da África Ocidental, os griots, além de terem a missão de manterem a história da família, exerciam funções como a de conselheiros do rei ou mensageiros. Eram eles que sabiam como usar a palavra adequadamente.

Mas não é apenas por meio da fala que um griot faz seu trabalho. Ele pode escolher se passará a mensagem através do canto ou da dança, por exemplo. Mandiaye escolheu o teatro.

“O teatro é uma maneira de revelar muitos segredos”, diz. Em 2002, ele vivia já há muitos anos na Itália, onde exercia a profissão que elegera, quando recebeu a notícia da morte do seu pai. Foi um sinal do destino. Ele precisava manter a ligação com seus antepassados e estabelecer uma conexão entre seus dois países: Senegal e Itália. Decidiu voltar para Diol Kadd, onde iniciou um projeto de teatro popular com os habitantes locais. Uma das primeiras apresentações, realizada em wolof, a língua falada pela imensa maioria dos senegaleses, foi uma peça inspirada em uma história do dramaturgo grego Aristófanes. “O personagem principal da história questionava o tempo todo: ‘por que uns são cada vez mais ricos e outros cada vez mais pobres?’”.

Na hora do almoço. Mandiaye nos mostra um núcleo familiar típico de Diol Kadd. Estamos no lado tradicionalista da vila. Um corredor serve de entrada para um terreno central. Em volta desse “quintal”, estão as casas de todos as famílias que integram o tal núcleo. A do pai e suas esposas (o homem pode ter várias esposas) e de dois dos filhos com suas esposas e descendentes. Em um canto do terreno, uma tenda de palha serve de cozinha: um buraco no chão com uma espécie de grelha em cima. Ao lado, o banheiro.

Todos na vila são primos entre si. Descendem de um só homem, aquele que fundou a comunidade, há muitos anos. “Diol”, em wolof, quer dizer “planície”. Kadd é o nome de uma árvore muito comum na região. No período chuvoso, embora pareça praticamente morta, absorve a água. Na época de seca, enquanto as demais árvores perdem suas folhas, exibe seus galhos frondosos.

Trinta e cinco anos atrás. Por sua capacidade de florescer na época de seca, o kadd é o deus de algumas famílias da vila que seguem a religião animista. Se alguém está mal, seja fisicamente ou moralmente, pergunta-se à árvore sobre o que fazer. Mandiaye explica que há mais de três décadas a região onde está Diol Kadd era cheia de árvores e animais. Com o tempo, o clima desértico vindo da Mauritânia, ao norte, foi avançando sobre o centro senegalês. Hoje, o cenário natural da comunidade de èyenne Sirakh – incluindo Diol Kadd – é semelhante ao de uma típica savana africana. Altas árvores dispersas e pequenos arbustos e pastos em volta.

Na tarde do mesmo sábado de fevereiro. Mandiaye nos leva para uma conversa com o Conselho dos Anciãos da Comunidade Rural de Ndièyenne Sirakh. Antes, somos recebidos por Amadou Falilou Fall, presidente do Conselho Rural da comunidade, em sua casa. No lado de fora, suas três mulheres, filhos, cunhadas e sobrinhos descascam amendoim.

Amadou explica que desde 1972, quando da promulgação de uma lei nacional, o problema da terra não existe no Senegal. “A terra é de todos os senegaleses. O poder da terra é da comunidade”. Segundo ele, não existe latifúndio no país. Quando uma propriedade é improdutiva, o governo a desapropria e a distribui.

Mas nem tudo é uma maravilha. Na sede da Associação dos Pescadores, Camponeses e Pastores de Ndièyenne Sirakh, os membros do Conselho dos Anciãos elencam as principais dificuldades para a agricultura local: escassez de água e a falta de recursos financeiros para a compra de equipamentos agrícolas. “Há água potável para beber, mas não sobra para as plantações. Às vezes, usamos nossas próprias mãos para cavar canais de irrigação”, explica um deles.

Muitos anos atrás. Ser um griot também é ser um guardião dos segredos da vida. Sua obrigação é revelar alguns e manter os demais ocultos para sempre. A sabedoria reside em escolher quais estão no primeiro ou no segundo grupo.

Quando ainda estava viva, a avó de Mandiaye era a griot da família e uma espécie de sacerdotiza de Diol Kadd. Era ela quem traduzia os sonhos da população local. E eram eles que determinavam como a pessoa deveria se comportar naquele dia: que cor de roupa vestir, o que comer, o que fazer… qual seu animal, sua planta etc. Segundo Mandiaye, os habitantes da vila faziam de tudo para conseguir sonhar. Do contrário, se passavam muitos dias sem ter sucesso, uma grande desgraça poderia acontecer.

Anos mais tarde. Quando a avó de Mandiaye sentiu que estava para morrer, deu ordens de cortarem o baobá, seu marido. Determinou que um pedaço dele fosse enterrado junto a ela, enquanto a outra parte seria mantida com um guardião; todo novo descendente, ao atingir certa idade, deveria cortar um pedaço da madeira e levá-lo consigo por toda a vida, como um amuleto. Antes de sua morte, a avó de Mandiaye ainda nomeou qual seria o próximo griot da família, aquele que seguiria a tradição e seria o novo custodiador dos segredos: o escolhido foi o pai de Mandiaye. Quando este faleceu, quem assumiu o posto, dentre os 22 filhos de duas mães diferentes, foi justamente Mandiaye.

Ao entardecer daquele sábado. De repente, ao fim da reunião com o Conselho dos Anciãos, ouve-se um batuque ao longe. Alguns metros de caminhada pelas ruas de areia da vila de Ndièyenne Sirakh (espécie de capital da comunidade rural homônima) e a visão que surge entre as casas rústicas locais é surpreendente. Uma enorme família – homens, mulheres, jovens, idosos, crianças – entretida em tocar, dançar e cantar. O ritmo é o de uma típica percussão africana… e brasileira. Os visitantes vindos do lado esquerdo do Atlântico são convidados a entrar na roda de dança. A integração é total, e vem acompanhada de muitos gritos e gargalhadas de aprovação. O momento é catártico. Os membros da família que tocam, dançam e cantam com os brasileiros são os griots da vila de Ndièyenne Sirakh. São os guardiões e transmissores da história local. E escolheram cumprir tal missão através da música. Talvez a manifestação artística africana por excelência.





Griot Hassane Kouyaté no SESC Ipiranga em maio




De 17 a 22 de maio, o contador de histórias, ator, músico, dançarino e diretor de teatro Hassane Kouyaté, filho do griot e ator Sotigui Kouyaté, compartilha sua experiência com grupo de atores selecionados e também com o público no palco do SESC Ipiranga.



Nascido no Burkina Faso, na África, Hassane Kassi Kouyaté teve sua aprendizagem dentro de uma família de griots, sendo estes os "senhores da palavra" e responsáveis por transmitirem a genealogia do continente africano para o povo. Ainda hoje eles atuam no equilíbrio da sociedade, são mediadores entre famílias e casais e com a palavra vivem de louvores que endereçam aos poderosos, das narrações históricas que declamam nas festas, dos contos morais que contam ou cantam por ocasião das cerimônias em que participam ou dos serviços que oferecem quando intervêm em conflitos.

Hassane atuou em várias companhias africanas e tem atuado em vários teatros europeus, como diretor de companhias e ator de seus projetos e como convidado. Atualmente é diretor artístico da companhia Dois Tempos Três Movimentos, em Paris.
 
Do dia 17 a 21 de maio, Hassane conduz oficina no SESC Ipiranga explorando práticas coletivas e individuais em trabalho com o texto Rei Lear, de Shakespeare. Nos encontros, o griot lida com a arte de narrar e com o aprofundamento da escuta, das relações entre tempo, ritmo e palavra, corpo e palavra, cena e público. Destinada a atores com experiência comprovada, as inscrições estão abertas até 1º/5.
Para quem quer tomar contato com a arte de Hassane Kouyaté, no dia 18 de maio acontece o Encontro com o griot, com abordagem sobre tradição e a vida em Paris e em bobo Dioulasso, no Burkina Faso – onde dirige a Casa da Palavra, Centro Regional das Artes da Narrativa e da Literatura Oral. No dia 22 de maio é a vez do griot demonstrar a arte da narrativa em espetáculos. Os encontros, com tradução consecutiva, são gratuitos com retirada de ingressos até o dia 10/5.

SESC Ipiranga | R. Bom Pastor, 822- tel.: 3340-2000
Grátis - livre para todos os públicos
Para saber mais: http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/subindex.cfm?Paramend=1&IDCategoria=7053

Lugares, margens e relações: raça, cor e mestiçagem na experiência afro-americana

O seminário internacional “Lugares, margens e relações: raça, cor e mestiçagem na experiência afro-americana” será realizado nos dias 24 e 25 de fevereiro na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, na capital paulista.

O objetivo é reunir pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos para estabelecer uma rede internacional para estudar a diversidade da experiência afro-americana, compreendida no cruzamento de disciplinas e épocas variadas.

O seminário é organizado pelo professor Antonio Sérgio A. Guimarães, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da USP, pela professora Lilia Schwarcz, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da USP, e pelo professor Pedro Meira Monteiro, da Universidade Princeton.

O evento tem apoio dos programas de pós-graduação em Sociologia e em Antropologia da USP, da Universidade Princeton e do Centro de Estudos da Metrópole, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP.

Silvia Lara (Unicamp), Bruno Carvalho (Princeton), Edward Telles (Princeton), Nadya Araujo Guimarães (USP), André Botelho (UFRJ), Elide Rugai Bastos (Unicamp), Arcadio Díaz-Quiñones (Princeton), Vagner Gonçalves da Silva (USP), Ângela Alonso (USP), Tera Hunter (Princeton) e Wlamira Albuquerque (UFBA) serão alguns dos pesquisadores que farão apresentações.

Nao há necessidade de se fazer inscrições. Informações adicionais podem ser obtidas com a Secretaria da Pós-Graduação em Sociologia da USP: sociousp@usp.br
 Tel: (11) 3091-3724.

DIA 20 DE NOVEMBRO: GRUPOS DE MARACATU DO ESTADO DE SÃO PAULO REALIZAM ENCONTRO NO MUSEU AFRO BRASIL

Oito grupos tradicionais se encontram no Dia da Consciência Negra. Haverá apresentações e Debates. Grátis

 Nos dias 20 e 21 de Novembro, a partir das 13 horas, o Museu Afro Brasil- Organização Social de Cultura e a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo promovem o Encontro dos Maracatus de Baque Virado de São Paulo com diversas apresentações e debates. Estão confirmadas as presenças dos grupos Cangarussu, Rochedo de Ouro, Bloco de Pedra, Ilê Alafia, Baque Sinhá, Mucambos de Raiz Nagô, Baque do Vale, Arrastão do Beco e Caracaxá. O evento faz parte das comemorações do Dia da Consciência Negra, que marca o relançamento do Livro “A Mão Afro Brasileira – Significado da Contribuição Artística e Histórica” organizado pelo artista plástico, Emanoel Araújo, Diretor-Curador do Museu Afro Brasil, com edição da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e patrocínio da empresa de energia EDP.

Original do Estado de Pernambuco, a cultura do Maracatu de Baque Virado foi introduzida em São Paulo a partir da década de 60, com o trabalho do poeta-ator-folclorista, Solano Trindade, na cidade de Embu das Artes. A partir de 1997, com o trabalho semeado pelo percussionista Éder Rocha e acompanhado por diversos mestres de Maracatu de Pernambuco, como Walter de França e Shacon Vianna, essa tradição da cultura popular ganha visibilidade no Estado.

Na última década surgiram muitos grupos de Maracatu e ações da sociedade civil relacionadas diretamente aos aspectos culturais do Maracatu de Baque Virado, espalhando-se por São Paulo, Osasco, Santos, Sorocaba, Rosana, Iguape, São Carlos, Rio Claro, Campinas e Embu das Artes.
Programação:
Sábado (apresentações de 45 min. Com 10 min de intervalo):
13h – Preparação
13h45 – Cangarussu
14h40 – Rochedo de Ouro
15h35- Bloco de Pedra
16h30 – Ilê Alafia
Domingo (apresentações de 30 min. Sem intervalo):
13h – Preparação
13h30 – Baque Sinhá
14h – Mucambos de Raiz Nagô
14h30 – Baque do Vale
15h – Arrastão do Beco
15h30 – Caracaxá
16h às 18h – Debates:
1. Raquel Trindade e Família apresentam a história de seu Maracatu e do Teatro Popular Solano Trindade;
2. Apresentação Geral da Trajetória dos Grupos;
3. Organização para o Encontro de 2011;
4. Proposição de Agenda de interesses comuns (Artística e Cultural);
5. Apresentação de iniciativas da Rede: Maracatu.org.br, Encontro Europeu de Maracatus e Associação de Maracatus de Baque Virado de Pernambuco.
Serviço:

Encontro dos Maracatus de baque Virado de São Paulo
Sáb. e Dom. - 20 e 21/11 - das 13h às 18h . Grátis
Museu Afro Brasil - Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Parque Ibirapuera - Portão 10

Sobre os Grupos
Cangarussu - http://grupocangarussu.blogspot.com/
Rochedo de Ouro - http://rochedodeouro.maracatu.org.br/

O Rochedo de Ouro é um grupo artístico que vivência a cultura do Maracatu de Baque Virado através de sua música e dança. Um trabalho que valoriza a cultura tradicional, atuando na cidade de São Carlos desde 2002, realizando arrastões pelas ruas de diversos bairros, bem como apresentações em eventos e comemorações. No âmbito da tradição, este trabalho tem como sua principal fonte e estrela guia o Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife. Entendendo a importância da transmissão deste conhecimento tradicional, com seus princípios e particularidades, o grupo Rochedo de Ouro, já organizou seis vivências abertas entre os anos de 2003 e 2009, contando com a vinda de integrantes desse Maracatu para São Carlos – mestre da percussão Walter de França e mestre da dança Maurício Soares – e Eder Rocha quando realizaram cursos, oficinas de música e dança e palestras sobre o tema.

Bloco de Pedrahttp://blocodepedra.com.br/
Fundado na cidade de São Paulo no ano de 2005, o Grupo Maracatu Bloco de Pedra é formado por cerca de 150 pessoas de todas as idades. O grupo trabalha especificamente com a cultura do Maracatu de Baque Virado, uma manifestação secular da cultura popular e tradicional do Brasil.

Ilê Alafia - http://www.maracatuilealafia.com.br/
Baque Sinhá - O Baque Sinhá é um grupo feminino, que propõe uma releitura do maracatu de baque virado, de origem pernambucana, bem como sua dança e canto. O grupo se uniu, primeiramente com o objetivo de fazer apenas um evento em homenagem ao dia da mulher, e com o passar do tempo vimos que era muito maior que isso, a nossa união e força nos encorajaram a fundar um grupo de maracatu, que em 21 de Fevereiro de 2010 se consolidou. Hoje estamos com aproximadamente 15 integrantes oriundas de outros grupos de maracatu do estado de São Paulo. Só mulheres tocam no Baque Sinhá, mas temos o auxílio dos entitulados “Cavaleiros” , que nos dão apoio nas apresentações, como fotógrafos, dançarinos e amigos.
Baque do Vale - http://baquedovale.com.br/

Arrastão do Beco - http://arrastaodobeco.blogspot.com/
O Arrastão do Beco é um grupo brincante de música percussiva da zona Sul de SP fundado em 2007, que trabalha com diversas linguagens dos folguedos populares. Dissemina através dos toques, cantos e danças a cultura das manifestações afro-brasileiras baseadas nas congadas, nos cocos de roda, nas cirandas, nos candomblés das nações de Angola e Kêtu, e principalmente nos maracatus de baque virado, sendo esta última manifestação a sua identidade principal.

Caracaxá - http://ciacaracaxa.maracatu.org.br/
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº
Parque Ibirapuera- Portão 10
São Paulo- SP - Brasil
http://www.museuafrobrasil.org.br/

CONTOS COMPLETOS DE LIMA BARRETO

A importância de Lima Barreto (1881-1922) na literatura brasileira tem sido objeto de sucessivas reavaliações. A oralidade despojada de seus textos e o tom memorialista e de crônica jornalística foram duramente criticados por contemporâneos como José Verissimo e, ao mesmo tempo, serviram de atrativo para as vanguardas modernistas. Embora tenha morrido cedo, aos 41 anos, Lima Barreto deixou uma importante produção de romances, crônicas e contos.

Com organização, introdução e notas de Lilia Moritz Schwarcz, esta edição reúne os 149 contos do autor, resgatados por meio de pesquisas em manuscritos, edições originais, jornais e revistas da época. Tanto os contos menos conhecidos quanto alguns mais famosos, como “A Nova Califórnia” e “O homem que sabia javanês”, ressaltam o aspecto autobiográfico que, segundo a organizadora, perpassa toda a carreira de Lima Barreto.

Testemunha ocular das convulsões políticas e sociais da República Velha, Lima Barreto foi um dos primeiros escritores a assumir sua negritude no Brasil. Ativista simpático ao anarquismo, descendente de escravos e protegido do Visconde de Ouro Preto, inseriu-se no mundo intelectual mas foi considerado um escritor de segunda categoria. Análises posteriores, como a do professor Antonio Candido, diriam que Lima Barreto é um autor “vivo e penetrante”. E sua inclusão tardia no cânone dos grandes ficcionistas da língua portuguesa seria apenas uma das muitas contradições que caracterizaram sua vida e obra.

Ao rever sua produção literária cem anos depois da publicação de Recordações do escrivão Isaías Caminha, seu primeiro romance, o que vemos é o gênio rebelde eternizado pela fúria quixotesca de Policarpo Quaresma e nas manifestações mais livres e reveladoras de seus contos.

CONTOS COMPLETOS DE LIMA BARRETO
Organização: Lilia Moritz Schwarcz
Páginas: 720
R$ 48,00
Companhia das Letras
http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12781

África e Brasil em língua, literatura oral e música:da voz às imagens

Curso de Difusão Cultural, gratuito
Responsável: Profa. Dra. Marta Heloisa Leuba Salum
Ministrante: Dr. André Paula Bueno

Local:  Museu de Arqueologia e Etnologia - SP
Período do curso: de 03/11 a 24/11/2010
Às quartas-feiras das 14h00 às 17h00 – Sala de Atividades do MAE
30 vagas (IMPORTANTE: As vagas serão preenchidas por ordem de chegada)

Inscrições na Seção Acadêmica do MAE de 15/10/2010 a 29/10/2010 (Horário: Das 9h às 12h e das 14h às 17h)

Documentos exigidos: cópias frente e verso, legíveis, do RG, CPF (não aceitamos Carteira de Habilitação) e preenchimento da ficha de inscrição.

Serão aceitas inscrições por procuração simples.

MUSEU DE ARQUEOLOGIA E ETNOLOGIA - USP
Av. Prof. Almeida Prado, 1466 – Cidade Universitária – São Paulo, CEP.05508-070
Informações: (11) 3091-4906 ou
sacadmae@usp.br 

Arte Africana

Livros

Neste livro, apresentamos a arte africana, termo que os estudiosos ocidentais encontraram para englobar toda a produção artística tradicional das centenas de povos que vivem nas dezenas de países da África Negra. Não teríamos como mostrar a arte de tantos povos, com culturas, línguas, dialetos e religiões diferentes em um só livro. Por isso, selecionamos alguns exemplos de arte que nos pareceram mais interessantes, mais bonitos, mais significativos em materiais tão diversos como argila, metal e madeira.


Tìtulo: Arte Africana
Autor: Hildegard Feist
Editora: Moderna
32 páginas
20,50 X 20,50 cm
ISBN: 9788516066925

Curso: Como ler Machado de Assis

O curso abordará contos e trechos de romances do escritor e será dividido por temas. A finalidade é fazer com que o aluno encontre diálogo e coerência no modo de pensar do escritor e o localize como grande observador da sociedade, o que o torna extremamente atual.

Aula 1 - O tema do adultério
Memórias póstumas de Brás Cubas, D. Casmurro e os contos: A cartomante, A senhora do galvão, Noite de almirante , Singular ocorrência...

Aula 2 – O tema do apadrinhamento e das oportunidades
Memórias póstumas de Brás Cubas, D. Casmurro, Quincas Borba, conto: O caso da vara.

Aula 3 - A maldade humana, a dissimulação, vaidade e a política :
Quincas Borba e Contos: A igreja do Diabo, o Enfermeiro, Uma senhora...

Aula 4 -O amor e o ciúme
D. Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Uns braços, Memorial de Aires...

Cada aula com duração de 2 encontros de 2hs.

Professora: Márcia Lygia Guidin
Duração : 8 encontros
Dias : quartas-feiras , das 18:30 às 20:30 horas
Datas: 22,29 de Setembro 6, 13, 20, 27 de Outubro 3 e 10 de Novembro.
Local : Fundação Ema Klabin - Rua Portugal 43, Jardim Europa
Valor : R$ 280,00 na inscrição + uma parcela de R$ 280,00

Marcia Ligia Guidin - Mestre e Doutora em Letras (Literatura Brasileira) pela FFLCH da USP. Professora de Teoria literária, Literatura brasileira e Edição de texto. Editora externa e packager para Casas Editoriais em São Paulo. Palestrante para as áreas de Letras, Educação e Produção de textos.

Observação: Toda a obra completa de Machado de Assis está disponível na internet no site www. machado.mec.gov.br