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Roda aberta de Capoeira Angola
8 de maio de 2010, às 14 horas, no Espaço do Viveiro Manequinho Lopes
A Universidade Aberta do Meio Ambiente e de Cultura de Paz (UMAPAZ) e a Divisão Técnica de Produção e Arborização (DEPAVE 2) convidam para a aula aberta de “Capoeira Angola”, no dia 8 de maio (sábado), às 14h, com a Contra Mestre Daisy Caribé, coordenadora geral da Associação Centro de Estudo e Pesquisa de Capoeira Angola.
O evento dará início ao Programa Capoeira Angola, uma atividade permanente que será oferecida às segundas e quintas, das 19h às 20h30 no espaço do Viveiro. Nas aulas, o grupo vivenciará os elementos que integram a prática através dos movimentos, do canto, toques dos instrumentos, filosofia e contexto histórico-social.
A Capoeira Angola foi fundada em Campinas em 2004 e possui núcleos nos estados da Bahia, São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco e no exterior no Canadá, Japão, Itália e Chile. É uma manifestação cultural que inclui em sua prática a luta, a dança, a música, a dramatização, a brincadeira, o jogo e a espiritualidade. É uma expressão da tradição afro-brasileira baseada na convivência e interação dos participantes e é transmitida oralmente de mestre para discípulo. A Capoeira Angola tem se expandido pelo mundo inteiro aproximando povos e culturas e vem contribuindo para a humanização dos espaços sociais urbanos.
Serviço: “Roda aberta de Capoeira Angola"
Data e Horário: 8 de maio de 2010, às 14h
Local: Viveiro Manequinho Lopes -Av. IV Centenário, 1268 – portão 7A
Informações: Tel.:11-5572-1004 11-5572-1004 - Não é preciso inscrever-se
Obs.: Sugere-se o uso de roupas confortáveis para a prática de exercícios
Foto e texto: divulgação UMAPAZ
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ETNIA & RELIGIOSIDADE
Quando a imprensa perpetua estereótipos
Rodrigues em 2/2/2010Por Rosiane
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Luís Carlos
Fonte: Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=575FDS007
Rodrigues em 2/2/2010Por Rosiane
Jornalistas são pessoas. Por mais distanciamento e olhar crítico, os "operadores da imprensa" são produtos da sociedade em que vivem. Parece óbvio, mas observar em que contexto social nasceram e cresceram editores e repórteres é o primeiro passo para entender por que a maioria esmagadora dos veículos de comunicação presta um desserviço à liberdade religiosa no Brasil. E por que, mesmo diante de afirmações perturbadoras, somos tentados – e levados! – a jogar a opinião pública a perpetuar preconceitos e promover a discriminação.
Há pouco mais de um mês, o país se chocou com os casos das agulhas. Duas crianças – uma na Bahia e outra no Maranhão – teriam sido alvo de rituais macabros, conduzidos por sacerdotes de matriz africana. Dezenas de agulhas foram introduzidas nos corpos das vítimas. Um outro caso, em São Paulo, há cerca de duas semanas, dava conta de uma mulher que assassinou a empregada porque queria lhe tomar a filha recém-nascida. O corpo da jovem foi encontrado com uma vela na boca e sinais de violência. O fato foi atribuído a um ritual de magia negra, orientado por um pai de santo (?) que chegou a prestar depoimento na delegacia.
O interessante dos três casos é que nenhum sacerdote – seja da umbanda, do candomblé, do catimbó, do omolokô, Xangô de Minas – tenha sido ouvido ou consultado. Salvo o jornal Meia Hora (RJ), que após publicar na capa a manchete "Patroa mata empregada em ritual de magia negra", sobre o assassinato ocorrido em São Paulo, ouviu um sacerdote de matriz africana que definiu o caso como um crime bárbaro que absolutamente não tinha ligação com qualquer prática da umbanda e do candomblé. A entrevista com o religioso saiu na edição seguinte, sem o mesmo destaque.
Ancestralidade e lógica familiar
Mas, por que ouvir uma fonte que parece nada ter a ver com a notícia? Primeiro para ter certeza de que os acusados são realmente sacerdotes ou adeptos de algum segmento da religiosidade afrobrasileira. Segundo para saber o que pensam "pais e mães de santo" a respeito dos episódios. É uma lógica simples: ou todos os jornalistas são profundos conhecedores da religiosidade afrobrasileira e por isso autorizados a afirmar a veracidade e origem do sacerdote e suas práticas ou estão faltando mães de santo no país. Não creio em nenhuma das duas hipóteses.E este é o "xis" da questão. Quem, se não os próprios sacerdotes e adeptos das religiões de matriz africana, pode ratificar a origem de um sacerdote? Quem, se não os próprios ciganos, pode afirmar a ascendência de alguém que lê cartas? Não basta um cocar na cabeça para ser índio. Assim como roupas brancas e "farofas em alguidares" não bastam para titular quem quer que seja como "pai ou mãe de santo". A estruturação organizativa das comunidades que prescindem de ancestralidade possui uma lógica diferente. Seus praticantes precisam necessariamente pertencer a uma comunidade ou família. Na natureza não há geração espontânea. Para ser pai é necessário ter sido filho. E todo sacerdote ancestral (ialorixá, ogan, babalorixá, pajé, baba de umbanda) tem responsabilidade para com seus iniciados.
Digamos que as notícias fossem um pouco diferentes. Os acusados dos crimes se declarassem como padres da Igreja Ortodoxa ou freiras da Ordem do Sagrado Coração de Maria. O que fariam meus colegas? A resposta seria simples, se não fosse cruel. Ligariam imediatamente para o bispo da igreja ou para a madre do convento e checariam se os acusados são membros daquelas instituições. Até porque, chocados, pensariam que este não é um comportamento digno de um verdadeiro religioso. E – claro! – descreveriam detalhadamente todas as sanções que o sacerdote – se realmente o fosse! – sofreria, além de registrar a indignação de toda comunidade. O fato é que igrejas e outras ordens religiosas são organizadas por uma hierarquia vertical, fáceis de ser acessadas. Algo muito diferente do que acontece com as religiões e etnias que pautam suas tradições pela ancestralidade e lógica familiar.
"UCristo louro m de olhos azuis"
Há pouquíssimo tempo, se esconder e clamar por justiça divina eram as únicas opções dos seguidores das religiões de matriz africana. Com intuito de garantir suas estratégias de sobrevivência, religiosos e grupos étnicos se inviabilizaram – por séculos! – do ponto de vista da mobilização social e representação institucional. E, a verdade é que, poucos se sentem seguros o suficiente para lidar com jornalistas em situações tensas. A grande maioria se amua em seu cantinho e se sente incapaz de instigar as redações a terem um novo olhar sobre esses conflitos. Mas, mesmo a dificuldade de consultar fontes confiáveis não pode servir de argumento para que uma informação não seja honestamente apurada.
Mais que elucubrar possibilidades, percebam que é impensável para qualquer um que uma freira assassine uma mulher para lhe tomar seu bebê ou que um padre oriente um fiel a introduzir agulhas no próprio filho. Mas, por que tendemos a acreditar que aberrações como essas são possíveis de acontecer com seguidores da umbanda e candomblé? Por que não duvidamos que sacerdotes afrobrasileiros se utilizam de seres humanos em rituais macabros? De que tipo de gente estamos falando? É de gente que faz o mal, que tem pacto com demônios e que por isso se tornam assassinos frios e bestiais? Ou de pessoas religiosas, pais e mães de famílias, cidadãos comuns em busca de sua religação com o Criador, com liturgias e especificidades próprias?
Levamos para as redações uma gama inimaginável de (pré)conceitos que nem nós mesmos sabemos. Somos todos nascidos, criados e formados numa sociedade que ao colocar em prática suas idéias de dominação, perseguiu a religiosidade dos descendentes de escravos por 500 anos e que se pensa religiosa e filosoficamente a partir de conceitos europeizados do Cristo "loiro de olhos azuis" e do primitivismo das sociedades ancestrais. A partir desta reflexão superficial, não é difícil entender o porquê de não nos preocuparmos em apurar sumariamente os dados que chegam às redações.
O princípio do contraditório
Nem sequer nos perguntamos: será que existe uma religião ou grupo étnico que sobreviva por meio de assassinatos e bestialidades? O que pensam os adeptos e sacerdotes desses segmentos quando alguém, se intitulando religioso ou membro da comunidade, assassina, rouba ou estupra num suposto ritual? Isso é prática religiosa? Ciganos roubam, mesmo, crianças? Muçulmanos são treinados para explodir bombas? Umbandistas enfiam agulhas em bebezinhos?
Assim também fica fácil entender a lógica utilizada por segmentos fundamentalistas que – possuidores de centenas de canais de rádios e TVs – alicerçaram suas doutrinas e liturgias calcadas na demonização do conteúdo simbólico das comunidades ancestrais. As igrejas neopentecostais apenas reforçam os conceitos aos quais fomos subjetiva e culturalmente doutrinados a aceitar. Desde os tempos da Coroa ouvimos que os rituais ciganos, africanos e indígenas são primitivos, praticados por seres sem almas – e, por que não? – acometidos de doenças mentais e pouco inteligentes. É por isso que o trabalho de "evangelização" da intolerância (desenvolvido por bispos, pastores e apóstolos) nos púlpitos eletrônicos é tão eficaz.
A sociedade brasileira conhece muito pouco de suas origens e ignora conceitos elementares de segmentos que foram (e são) primordiais para a sua construção. Religiosos e comunidades étnicas acreditam que fazer valer o princípio do contraditório em notícias de crimes envolvendo supostas práticas ritualísticas é, ao mesmo tempo, diminuir o nosso próprio desconhecimento relativo aos grupos minoritários e informar genuinamente – sem correr o risco de sedimentar e perpetuar preconceitos.
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Luís Carlos
Fonte: Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=575FDS007
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Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu (minha) caro/a, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
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Cajueiro: meu baobá
Por Elizandra SouzaNa cultura africana as árvores são sagradas, sobretudo, o baobá, que é considerada uma testemunha da história de vida de uma comunidade e também uma árvore mãe, no qual se aproveita todas as suas partes para a sobrevivência humana.
Meu baobá particular e também do meu povo nordestino é o cajueiro, de origem brasileira que se espalhou pela África e Ásia, no período colonial e atualmente provém dele a única fonte de sobrevivência de muitas famílias nordestinas. Esta árvore pode atingir até 40 metros de altura na região Amazônica, seu fruto é a castanha, e o pseudofruto é o caju, palavra de origem tupi Acaiu, que significa noz que se produz.
Era no tempo das férias escolares, na Fazenda Cauê, cidade de Nova Soure no interior da Bahia, que eu desfrutava do meu baobá individual, aproveitando suas safras, suas flores, frutos, sombras, sucos e o mais importante sua companhia.
Com uns sete a oito anos, já estava de mãos dadas com os galhos. Meu avô fez um balanço, com um pedaço de madeira e duas cordas de sisal, somente por não brotar era um dos mais solitários cajueiros da fazenda, e ficava localizado no lado esquerdo da casa de meus avôs. Ali tive meus momentos mágicos tão intensos que fui ao céu pela primeira vez.
Nessa idade também ajudava a minha vozinha, o trabalho era simples, apenas procurar entre as folhas secas castanhas e cajus, separando um do outro e colocando em um balde. O fruto era a nossa moeda de troca, no qual eu conseguia comprar roupas, brinquedos e o meu material escolar.
Eu escalava nos galhos, quando estava no topo observava Deus por entre as frestas das folhas. Ali sentada escondia-me das pessoas que passavam na estrada, sejam montadas a cavalo ou a pé. Meu sonho era ter uma casa na árvore, que nem a Punk – na levada da Breca. Como não consegui convencer a ninguém para fazer a minha casa na árvore, ficava só imaginando como seria possuir uma, para guardar meu diário, meus sonhos e meus repousos.
Já o suco era menos trabalhoso, ainda não tinha eletricidade na fazenda, portanto, sem liquidificar. Então numa peneira era pressionado o caju para que se desfragmentasse e virasse uma pasta cremosa, no qual acrescentava água e açúcar e estava pronta a bebida.
Uma outra forma de degustar do cajueiro é por meio das castanhas, que ao serem assadas, elas são deliciosas. Minha mãe é viciada em castanhas, ela não pensa em ninguém quando esta em transe pelo efeito provocado pelo sabor da mesma.
O cajueiro faz com que os meus olhos brilhem, sou apaixonada por esta árvore que tão bem me representa, se existir outras vidas, quero nascer um pé de caju, bem grande com galhos tortos que alcancem o céu e assim eu possa namorar as estrelas, e me deliciar com cajus e de castanhas.
Na verdade, acho que quero nascer menina sonhadora novamente e encontrarei um cajueiro que possa ser meu namorado, assim me balançarei nos seus galhos, descansarei nas suas sombras, me alimentarei de castanhas e beberei dos seus lábios os melhores doces e licores.
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Jongo da Serrinha
O jongo é uma manifestação cultural que combina dança e música, oriunda das senzalas das plantações de café e de cana-de-açúcar do Sudeste brasileiro. Preocupados com a extinção dessa tradição, Mestre Darcy e sua mãe, Vovó Maria Joana Rezadeira, fundaram o grupo Jongo da Serrinha.Com 40 anos de existência, é um dos mais importantes grupos de cultura do país e já recebeu diversos prêmios por seu trabalho artístico e social. Selecionado na edição 2007-2009 do Rumos Música, o Jongo da Serrinha se apresenta nesta segunda, na TV Cultura.
Não esqueça: na próxima segunda, 9 de novembro, às 23h40, show do grupo Jongo da Serrinha na série de shows Rumos da Música, na TV Cultura.
Texto: boletim Itaú Cultural
imagem: Cia de Foto
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Sarau do Binho e convidados
Divisão de Bibliotecas
EVENTO OUTUBRO INDEPENDENTE
EVENTO OUTUBRO INDEPENDENTE
LITERATURA INDEPENDENTE
Circuito Poéticos Alternativos - Saraus de Música e poesia
Cada vez mais autores buscam meios alternativos para que suas palavras sejam ouvidas, lidas, sentidas e digeridas. Em tempos de cultura digital, a literatura saiu da estante para habitar blogues. Saraus pipocam pela cidade. Quem nunca foi abordado com a pergunta: você gosta de poesia? A Divisão de Bibliotecas do CCSP e a Biblioteca Temática em Poesia Alceu Amoroso Lima promovem apresentações literárias com a participação de autores independentes, cuja produção diversificada, que mixa gêneros, estilos e linguagens, acontece em espaços alternativos e fora do mercado editorial.
Sarau do Binho e convidados - dia 15/10
Noite de literatura, música e poesia com o poeta-escritor Binho, Sérginho Poeta e convidados; edição a ser produzida no CCSP com o formato original. O Sarau do Binho teve início nos idos de 1996/97, um espaço aglutinador, de convivência e que possibilita o intercâmbio entre artistas e conteúdos culturais diversos, onde trocam experiências, poetas, artistas, produtores culturais e comunidade, podendo experimentar e propor a prática de suas linguagens, realizando ações que vão de encontro à articulação de trabalhos em conjunto e à integração com expressões culturais de outras regiões, onde o livro é o elemento de interação. Aos interessados, será colocada uma banca de livros no espaço do sarau.
Circuito Poéticos Alternativos - Saraus de Música e poesia
Cada vez mais autores buscam meios alternativos para que suas palavras sejam ouvidas, lidas, sentidas e digeridas. Em tempos de cultura digital, a literatura saiu da estante para habitar blogues. Saraus pipocam pela cidade. Quem nunca foi abordado com a pergunta: você gosta de poesia? A Divisão de Bibliotecas do CCSP e a Biblioteca Temática em Poesia Alceu Amoroso Lima promovem apresentações literárias com a participação de autores independentes, cuja produção diversificada, que mixa gêneros, estilos e linguagens, acontece em espaços alternativos e fora do mercado editorial.
Sarau do Binho e convidados - dia 15/10
Noite de literatura, música e poesia com o poeta-escritor Binho, Sérginho Poeta e convidados; edição a ser produzida no CCSP com o formato original. O Sarau do Binho teve início nos idos de 1996/97, um espaço aglutinador, de convivência e que possibilita o intercâmbio entre artistas e conteúdos culturais diversos, onde trocam experiências, poetas, artistas, produtores culturais e comunidade, podendo experimentar e propor a prática de suas linguagens, realizando ações que vão de encontro à articulação de trabalhos em conjunto e à integração com expressões culturais de outras regiões, onde o livro é o elemento de interação. Aos interessados, será colocada uma banca de livros no espaço do sarau.
Onde: Praça da Biblioteca do Centro Cultural São Paulo
Quando: Dias 15/10 - quinta-feira
Horário: Das 20h às 22h
Acompanhe o vídeos dos encontros: http://www.youtube.com/watch?v=ensI28F7TKs
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Arte e Crítica: Trajetórias e Perspectivas

FÓRUM DISCUTE ARTE E CRÍTICA, NO PALÁCIO DOS BANDEIRANTES
“Arte e Crítica: Trajetórias e Perspectivas” é nome do Fórum de Debates queacontece dia 15 de outubro no Palácio dos Bandeirantes e que integra ascomemorações dos 60 anos da Associação Brasileira dos Críticos de Arte -ABCA. O evento é uma parceira entre o Acervo dos Palácios do Governopaulista e a ABCA.
O objetivo do evento é a discussão sobre mais de meio século deatividades da instituição e conseqüentemente sobre a própria artebrasileira. e o papel da crítica, bem como propõe pensar as perspectivaspara essas áreas.
Foram convidados críticos, curadores e artistas para umdimensionamento ainda maior dessas discussões, e profissionais vindos dosdiversos estados brasileiros, como forma de substanciar o perfil daassociação que é brasileira e tem atuado, inclusive através de seusassociados em diversas instâncias por todo o Brasil.Entre as ações que vem desenvolvendo, a ABCA buscou sempre promover aaproximação e o intercâmbio entre profissionais que atuam na área dacrítica de arte e incentivar a pesquisa e a reflexão no domínio dasdisciplinas significativas para a arte, contribuindo para a produçãoartística e da teoria da arte. O objetivo deste Fórum é dar ênfase a essesprincípios que regem as atividades da Associação.
PROGRAMAÇÃO
14h: Mesa redonda: Arte e Crítica - TrajetóriasCoordenação:Elvira Vernaschi - presidente da ABCA, Ângela Ancora da Luz-RJ, CauêAlves–SP, Percival Tirapeli –SP, Dyógenes Chaves – artista plástico - PB
16h: Mesa redonda: Arte e a Crítica - PerspectivasCoordenação:Ana Cristina Carvalho – Curadora do Acervo dos Palácios, Agnaldo Farias –SP, Leonor Amarante – SP, Olívio Tavares de Araújo – SPE Raul Córdula – artista plástico PB
18hLançamento do catálogo da exposição “Olhar da Crítica – Arte Premiada daABCA e o Acervo Artístico dos Palácios”.
Inscrições gratuitas - Vagas Limitadas / Fone (11) 2193.8139
www.acervo.sp.gov.br
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Ciências da Linguagem e Didática das Línguas
Faltam 20 dias para o início do evento. Duração: 3 dias
A Universidade de São Paulo (USP) realizará, entre os dias 19 e 21 de – outubro, o colóquio internacional “Ciências da Linguagem e Didática das Línguas: 30 anos de Cooperação Franco-Brasileira”.
O evento é organizado pelo Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e está inserido nas comemorações do Ano da França no Brasil.
O colóquio compreenderá uma parte institucional e outra científica. Na institucional, o evento pretende também celebrar os 30 anos de acordos de cooperação científica entre o Brasil e a França. Haverá debates com representantes da Agência Universitária da Francofonia (AUF) que abordarão os acordos entre ambos os países.
Nas discussões acadêmicas, especialistas franceses e brasileiros debaterão os aspectos e os avanços das ciências da linguagem e da didática das línguas. “Questões relativas à identidade”, “construção do sentido”, “discursos sociais”, “socialização e educação”, entre outros, serão alguns dos temas do colóquio.
Mais informações: http://www.fflch.usp.br/eventos/lindil/
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SEGUNDA SEM CARNE: DESCUBRA NOVOS SABORES
No dia 03 de outubro de 2009 será lançada na cidade a Campanha Segunda Sem Carne: Descubra Novos Sabores. A Campanha é um dia sem carne, para ser celebrado todas as segundas-feiras. A intenção é incentivar as pessoas a deixarem de consumir carne uma vez por semana, tendo assim benefícios à sua saúde e à saúde do planeta. É um convite a redescobrir sabores, ampliar o repertório de alimentos no cardápio das pessoas, deixar a carne de lado por um dia e testar novas receitas. A Campanha será lançada pela Sociedade Vegetariana Brasileira e a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, com apoio do Greenpeace, do Instituto Pólis, do Slow Food São Paulo, Revista dos Vegetarianos, Agência de Notícias de Direitos Animais, Instituto Nina Rosa, Prefeitura de São Lourenço da Serra, entre outros. Quer saber sobre o impacto da carne no meio ambiente? Conheça mais pelos sites http://diasemcarne.wordpress.com e http://twitter.com/diasemcarnesp. Venha ao Parque do Ibirapuera no dia 03 de outubro, na Marquise, e experimente novos sabores.
BLOG DA UMAPAZ – Conheça e participe: www.blogumapaz.blogspot.com
BLOG DA UMAPAZ – Conheça e participe: www.blogumapaz.blogspot.com
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Instituto convida jovens para integrar projeto de música erudita
Até dia 28/7, o Instituto Callis recebe inscrição de interessados em integrar o projeto Camerata Callis, uma iniciativa que leva música erudita a crianças por meio de concertos didáticos em escolas gratuitamente. Para formar a Camerata, a organização convoca músicos estudantes de violino, viola, violoncelo e contrabaixo, com nível intermediário e com idade entre 12 e 18 anos.
As inscrições são gratuitas e podem ser encaminhadas para o e-mail instituto@institutocallis.org.br, com as seguintes informações: nome completo; endereço completo; telefone e e-mail de contato; data de nascimento; instrumento que toca; escola de música que estuda; nome do professor de instrumento.
A audição ocorrerá no dia 2/8, a partir das 9 horas, na sede do Instituto Callis. Serão escolhidos 12 músicos, que ao integrar a Camerata Callis, receberão uma bolsa auxílio mensal. Os músicos deverão ter disponibilidade para ensaiar e /ou se apresentar duas vezes por semana, fora do horário escolar.
A Camerata é um dos projetos do Instituto Callis, que tem a missão de informar crianças e adolescentes por meio da cultura para a compreensão do mundo nas suas diversas linguagens. O projeto possui a finalidade de contribuir para o enriquecimento do ensino na escola pública levando a música erudita como forma de aproximação do aluno com a arte, além de apresentar os instrumentos musicais e gerar mais uma possibilidade de diversão e entretenimento.
O Instituto Callis iniciou suas atividades em janeiro de 2004, desenvolvendo projetos voltados à cultura e à educação, promovendo ações que contribuem para a inclusão social e para o desenvolvimento da cidadania. Os projetos do Instituto abrangem oficinas para crianças, jovens e educadores, apresentações de música, contações de história e publicações de livros.
As inscrições são gratuitas e podem ser encaminhadas para o e-mail instituto@institutocallis.org.br, com as seguintes informações: nome completo; endereço completo; telefone e e-mail de contato; data de nascimento; instrumento que toca; escola de música que estuda; nome do professor de instrumento.
A audição ocorrerá no dia 2/8, a partir das 9 horas, na sede do Instituto Callis. Serão escolhidos 12 músicos, que ao integrar a Camerata Callis, receberão uma bolsa auxílio mensal. Os músicos deverão ter disponibilidade para ensaiar e /ou se apresentar duas vezes por semana, fora do horário escolar.
A Camerata é um dos projetos do Instituto Callis, que tem a missão de informar crianças e adolescentes por meio da cultura para a compreensão do mundo nas suas diversas linguagens. O projeto possui a finalidade de contribuir para o enriquecimento do ensino na escola pública levando a música erudita como forma de aproximação do aluno com a arte, além de apresentar os instrumentos musicais e gerar mais uma possibilidade de diversão e entretenimento.
O Instituto Callis iniciou suas atividades em janeiro de 2004, desenvolvendo projetos voltados à cultura e à educação, promovendo ações que contribuem para a inclusão social e para o desenvolvimento da cidadania. Os projetos do Instituto abrangem oficinas para crianças, jovens e educadores, apresentações de música, contações de história e publicações de livros.
Instituto Callis
Rua Oscar Freire, 379 - 6o. andar
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Danças do Oriente

Café Aman apresenta:
“Danças do Oriente”
com Cláudia Parolin, Cristina Antoniadis, Dúnia La Luna e Yasmin Nammu
Uma Noite Mágica e Surpreendente
Do Tradicional ao Moderno, do Clássico ao Folclore e incluindo as Fusões, o show aborda os diversos estilos existentes na Dança Oriental interpretados por bailarinas com diferentes históricos proporcionando uma apresentação rica e dinâmica. Através da dança, dos sons, dos sabores e do ambiente embarque nessa viagem a terras distantes que inundam nossa imaginação de beleza e magia.
“Danças do Oriente”
com Cláudia Parolin, Cristina Antoniadis, Dúnia La Luna e Yasmin Nammu
Uma Noite Mágica e Surpreendente
Do Tradicional ao Moderno, do Clássico ao Folclore e incluindo as Fusões, o show aborda os diversos estilos existentes na Dança Oriental interpretados por bailarinas com diferentes históricos proporcionando uma apresentação rica e dinâmica. Através da dança, dos sons, dos sabores e do ambiente embarque nessa viagem a terras distantes que inundam nossa imaginação de beleza e magia.
Sábado, Dia 01/08, as 21h30
Entrada R$15,00
Av. Miruna, 396 Moema
Reservas: 5041-9428/ 9399-0114
Entrada R$15,00
Av. Miruna, 396 Moema
Reservas: 5041-9428/ 9399-0114
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Pintura na margem da cidade
A mostra, realizada em parceria com o Centro Cultural da Espanha, apresenta fotos e DVDs das intervenções urbanas de Mônica Nador, que levaram cores para as casas da favela São Remo, da Vila Rhodia e do Jardim Santo André, em São Paulo, e para Maclovia Rojas, no México.Os trabalhos, realizados com pinturas em estêncil, contaram com o apoio das comunidades, que participaram de oficinas e criaram desenhos de acordo com seu repertório e realidade. O resultado foi um conjunto visual interessante e o despertar de um sentimento de pertença nos moradores.
Num movimento de apropriação simbólica do espaço público, a artista plástica Mônica Nador, paulista de Ribeirão Preto, descobriu novos caminhos para sua arte. Ela confessa sempre ter tido vocação para “pintar a cidade”, já que navegou entre estudos de arquitetura e artes plásticas. “Empunho a bandeira da beleza pura, quero transformar os lugares feios”, diz Mônica Nador. “Procuro fazer o que chamo de arte útil”.
O trabalho da artista plástica é realizado, primeiramente, com a apresentação da proposta para os moradores e a inscrição dos interessados. Em seguida, são realizadas sessões de desenho, nas quais se procura eliminar piu-pius, mickey mouses e logomarcas. É feita a transposição dos desenhos selecionados para confecção dos estênceis e se inicia a pintura das casas. Os desenhos e as cores são selecionados pelos próprios moradores.
A ação busca valorizar as pessoas e sua cultura e viabilizar um entorno menos hostil para as populações que habitam a periferia de grandes cidades. Incentiva a formação de agentes multiplicadores deste trabalho dentro da comunidade, e, em um segundo momento, a criação de atividade geradora de renda baseada nos desenhos do grupo.
Em Santo André, o trabalho foi feito por meio das ONGs Jardim Miriam Arte Clube (Jamac) e Ação Educativa, no Projeto Arte em Toda Parte, que integra as ações do programa São Paulo de Cara Nova, da Secretaria de Habitação e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Governo do Estado de São Paulo (CDHU). O processo foi filmado pelo cineasta Carlos Jerônimo Vilhena de Toledo, que editou um documentário presente na mostra.
Visitação: 10 de junho a 12 de julho, das 10h às 18h
Museu da Casa Brasileira
Av. Faria Lima, 2705 - Tel. 11 3032-3727 Jardim Paulistano São Paulo
Ingresso: R$ 4,00 - Estudantes: R$ 2,00
Gratuito domingos e feriados
Foto: Divulgação
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A história que virou história
Você viu o que duas melancias causaram?
Emoções, enredos, risos...!!! Essa é a história que ouvimos por vários encontros. O que eram duas moças redondinhas como as melancias, amigas para estarem juntas a qualquer momento, vencendo as tristezas, preconceitos e vivendo todos os momentos de muita felicidade, passou a ser ponto de partida para muitas outras histórias. E nessa, nem as sementes da melancia escaparam!
Juvenal Domingues
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Binhografia inacabada
- ?
Ainda não sei quem sou
Mas o meu nome me chama de Robinson
Que diz que quer dizer filho de Robin
Embora meu pai se chamasse Joaquim
- ?
- Meu apelido vem da forma carinhosa dimãenutiva
Quando ela me chamava do campinho que ficava em frente da nossa casa
O qual era minha primeira casa até a luz do dia fugir inteira
- Robiiiiiiiiiinho, mãe chamava, nas horas dela, d'eu vir para dentro
- E eu tardava em retornar, do estádio mais saudoso que o Morumbi não viu
E o eco desse Binho ficou lá, parado no meio daquele chamamento de minha mãe
Naquele campinho de gols, de gol a gol; quando havia poucos para tratar de bola,
Naquele que era o nosso , que os buracos eram nossos, de poças rasas; mas profundas na memória, que quando chovia era uma festa de sujação, mães e mãos bravas
nos tanques, por isso era melhor jogar as peladas quase pelados, bolas de capotão
E quem era o capitão? Nem existia isso não, e o jogo era jogado, ganhado ou perdido às regras nossas, fifas nenhumas, muitos chapéus, poucos bonés, nenhum cartola.
Aquele campinho que ganhei um prego no pé, e que quase me tetanei
Aquele de correrias, pega-pegas cambalhotas e pipas, poucas pipas muitas bolas
Aquele que mil gols eu fiz sem Romário existir, e que Pelé eu vi, nos braços de minha mãe, mas dentro do Morumbi
Aquele de gandulas; de quem ficava para próximo; em dias mais concorridos ou férias, tínhamos pressa, tempo era gol
Aquele de goleiros frangueiros, posição pouco aceita e despopularizada entre nós, época que a seleção atacava e os artilheiros estavam em alta, ficar no gol era quase que uma punição, e poucos se prestavam a agarrar as bolas, a posição era disputada no “dois ou um”, e ser artilheiro nesses casos, uma obrigação
Aquele campinho de galinhas e seus pintinhos que ciscavam por ali, e que vez ou outra uma bola perdida depenava um futuro frango
Que no primeiro tempo era uma descida, e no segundo uma subida, quando havia tempos
De traves feitas do que dava, sem redes, de muitos gols duvidáveis mas inexplicáveis
Formidáveis, goláveis
Aquele campinho, de onde todos saíram vitoriosos, e que nunca nenhum ser humano amanheceu morto por ali
Tempos que não cuidavam dessas desovas
Aí vieram o asfalto, os carrinhos de rolimãs, carros carros carros, os prédios, todos os bancos, as delegacias, os puteiros e as casas Bahia
E o campinho também se transformou
Hoje, ele é apenas um desmanche de carros depenados e apreendidos pela 37ª DP
Aquele campinho não existe mais, eu sei
Mas insiste ainda em mim
Ainda não sei quem sou
Mas o meu nome me chama de Robinson
Que diz que quer dizer filho de Robin
Embora meu pai se chamasse Joaquim
- ?
- Meu apelido vem da forma carinhosa dimãenutiva
Quando ela me chamava do campinho que ficava em frente da nossa casa
O qual era minha primeira casa até a luz do dia fugir inteira
- Robiiiiiiiiiinho, mãe chamava, nas horas dela, d'eu vir para dentro
- E eu tardava em retornar, do estádio mais saudoso que o Morumbi não viu
E o eco desse Binho ficou lá, parado no meio daquele chamamento de minha mãe
Naquele campinho de gols, de gol a gol; quando havia poucos para tratar de bola,
Naquele que era o nosso , que os buracos eram nossos, de poças rasas; mas profundas na memória, que quando chovia era uma festa de sujação, mães e mãos bravas
nos tanques, por isso era melhor jogar as peladas quase pelados, bolas de capotão
E quem era o capitão? Nem existia isso não, e o jogo era jogado, ganhado ou perdido às regras nossas, fifas nenhumas, muitos chapéus, poucos bonés, nenhum cartola.
Aquele campinho que ganhei um prego no pé, e que quase me tetanei
Aquele de correrias, pega-pegas cambalhotas e pipas, poucas pipas muitas bolas
Aquele que mil gols eu fiz sem Romário existir, e que Pelé eu vi, nos braços de minha mãe, mas dentro do Morumbi
Aquele de gandulas; de quem ficava para próximo; em dias mais concorridos ou férias, tínhamos pressa, tempo era gol
Aquele de goleiros frangueiros, posição pouco aceita e despopularizada entre nós, época que a seleção atacava e os artilheiros estavam em alta, ficar no gol era quase que uma punição, e poucos se prestavam a agarrar as bolas, a posição era disputada no “dois ou um”, e ser artilheiro nesses casos, uma obrigação
Aquele campinho de galinhas e seus pintinhos que ciscavam por ali, e que vez ou outra uma bola perdida depenava um futuro frango
Que no primeiro tempo era uma descida, e no segundo uma subida, quando havia tempos
De traves feitas do que dava, sem redes, de muitos gols duvidáveis mas inexplicáveis
Formidáveis, goláveis
Aquele campinho, de onde todos saíram vitoriosos, e que nunca nenhum ser humano amanheceu morto por ali
Tempos que não cuidavam dessas desovas
Aí vieram o asfalto, os carrinhos de rolimãs, carros carros carros, os prédios, todos os bancos, as delegacias, os puteiros e as casas Bahia
E o campinho também se transformou
Hoje, ele é apenas um desmanche de carros depenados e apreendidos pela 37ª DP
Aquele campinho não existe mais, eu sei
Mas insiste ainda em mim
Robinson Padial (Binho)
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A mulher da pedra

Sabe aquela história que os pais têm mania de contar para passar sabão na gente? Pois é, essa é mais uma delas. Sempre que eu e minha irmã brigávamos, minha avó sempre vinha com uma dessas “historietas”. Hoje vou contar a história da “A mulher da pedra”.[1]
Acho que todos conhecem o romance “Éramos Seis”, de Maira José Dupré, pois bem, em minha casa éramos duas dúzias. Entre viúvas e primas, uma família extensamente feminina e “confabuladora”. De tanto confabular de uns e de outros sempre havia entre nós, irmãs e primas, um arranca rabo diferente, escondido de nossas mães e tias, é claro!
Quando isso acontecia, dava uma dor de ouvido danada. Era um festival de palavras com caveirinhas, cobrinhas e uma porção de características iguaizinhas as de desenhos animados. Eu ouvia todos eles! E confesso, depois dos quinze, repeti-los era uma delícia.
Certo dia, minha avó, que Deus a tenha, pegou minha irmã e minha prima de jeito. E eu, como sempre, que estava só de telespectadora, entrei no rolo. A diferença de idade entre mim, minhas primas e irmãs era escandalosamente grande, sendo assim, não tinha jeito. Eu tive que crescer com aquele bando de adolescentes com crises de mulher. Bom, voltando, vovó chegou e levou todas nós para o quarto e começou a boa e velha ladainha. A história que vou contar é uma delas.
Certo dia, uma mulher, aparentando suas carregadas quatro décadas, estava lavando as roupas de suas patroas no riacho quando em prantos confessou para sua comadre que não agüentava mais tanto desafeto entre as pessoas que mais amava. Todo dia, era uma “brigaiada” danada dentro de casa. Naquelas brigas fervorosas e carregadas de desafetos, sempre um de sua família caía doente. Quando não era ela, era o mais novo. Quando não era o mais novo, era o mais velho. Quando não, até as crias adoeciam!!! Uma semana as galinhas não botavam, na outra era os coelhos que tinham um piriri. Era um verdadeiro “só por Deus”!
Sua comadre, compadecida de seu fardo, parou. Na verdade tudo pareceu ter parado diante de um lamento tão profundo e verdadeiro. As águas daquele pequeno rio pareciam chorar junto com aquela mulher. Não ventava e as folhas secas, que sem pudor algum caíam com vento ou sem ele, não caíam mais. Diante daquelas duas mulheres, uma compadecida com a dor da outra, formava-se uma imagem digna de um quadro. Entre uma rocha e outra, as marcas de sabão construíam desenhos em suas encostas. Era uma cumplicidade digna de uma poesia.
Mas nem tudo na vida é um caso perdido, e a solução veio com um nome: Ynae. Dona Ynae era uma anciã muito respeitada por aquelas bandas. Suas feitas eram bastante conhecidas nas redondezas. Sua fama era grande! Os barões de café da região mandavam vir buscá-la para realizar suas benzeções. Ela fazia parto, fazia “reza brava”, benzia e até curava espinhela caída. Não havia mal que não curasse e bem que não fizesse que seu resultado não fosse reconhecido e divulgado aos quatro cantos das redondezas. Diziam que ela já era uma senhora centenária. Mas não havia, em sua cabeleira, um único fio branco sequer para comprovar tal teoria.
Solução apontada, aquelas mulheres trataram de deixar a vida prosseguir. Secaram seus prantos. Arregaçaram as mangas e foram novamente às labutas da vida. Ensaboando e esfregando os cueiros e lençóis brancos de linho. As folhas voltaram a cair e o sol a pino e quente anunciava a hora de quarar.
De volta para casa, não tardou a chegar logo em seguida a Dona Ynae. Sua comadre mais que depressa já havia relatado para a santa senhora todos os infortúnios que aquela mulher estava passando. Das desgraças que ocorria em sua casa e do desgaste que vinha sofrendo toda a sua família.
Ao entrar naquela casa simples e de poucos pertences, a benzedeira, olhando lentamente ao seu redor, disse: “Deixa, fia, tudo pra trás. Na sua ida, leva contigo somente o que tiver inteiro. Nada pela metade. Nem mesmo aquela pedra que enfeita sua sala. Nada, nadinha. Somente a famia”. Dizendo isso, fechou os olhos e fez uma oração. Lenta e demorada. Com sua expressão de dor, chorou baixinho e pediu, talvez aos seus santos da terra mãe, talvez ao Pai. Quem sabe?
Aceitou com muito carinho um copo d’água, num copo de barro faltando uma beira, e com olhar de reprovação olhou para o objeto, como quem diz “esse também fica”. Agradeceu. E logo em seguida aconselhou: “Bota fia, bota todo o seu povo numa carroça, segui caminho e não olhi pro que tá deixano”. Sem ponderar essa velha senhora repetiu enfática: “E num leva de jeito nenhum aquela pedra”.
Após as orações, a família seguiu em paz durante alguns dias. Enquanto isso, todos da casa se preparavam para partida. Entre os preparativos para o recomeço estava a seleção do que iria ser levado: quase nada. Há muito aquela família vivia em pé de guerra. A cada briga era uma louça, um artigo de luxo, perdia uma alça ou lascava uma pintura. A cada pontapé, quebrava-se uma cadeira ou uma mesa. A cada discussão, uma panela caía no chão e amassava. Eram, realmente, poucos os objetos que seriam transportados. Mas o maior de todos, aquela mulher havia, à tempo, salvo: a sua família.
No dia da partida, a carroça, já pronta, com poucos pertences e muita esperança, a jovem senhora não seguiu o último conselho e sem pestanejar olhou para trás. Gelada e sem palavras, ela não conseguia crer no que via. Segundo os antigos, a imagem é da ruína humana, da miséria, da desgraça e degradação. Mas a imagem que ela via era de uma velha senhora, maltrapilha, suja, toda mafonhanhada, carregando uma pedra, correndo e gritando: “Espera eu, espera eu”!
Márcia Adão, 18/05/07
[1] Curso de contos árabes e africanos maio/2007
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Um babalaô me contou
Um babalaô me contou:
"Antigamente, os orixás eram homens.
Homens que se tornaram orixás por causa de seus poderes.
Homens que se tornaram orixás por causa de sua sabedoria.
Eles eram respeitados por causa da sua força,
Eles eram venerados por causa de suas virtudes.
Nós adoramos sua memória e os altos feitos que realizaram.
Foi assim que estes homens tornaram-se orixás.
Os homens eram numerosos sobre a Terra.
Antigamente, como hoje, muito deles não eram valentes nem sábios.
A memória deste não se perpetuou.
Eles foram completamente esquecidos;
Não se tornaram orixás.
Em cada vila, um culto se estabeleceu
Sobre a lembrança de um ancestral de prestígio
E lendas foram transmitidas de geração em geração, para render-lhes homenagem"
Fonte: Lendas Africanas dos Orixás – Pierre Fatumbi Verger
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Márcia Adão descobre a história: SOMBRAS DA CIDADE

Era uma negra moça ainda, uns 34 anos, mais ou menos. E andava por aí, ao léu, vivendo de esmolas. Não era muito certa do juízo ao que diziam.
Contudo, possuía de seu, um colchão e um filho de cinco anos. Colchão que era só trapo voando e tripas de capim saindo pra fora. Quanto ao filho, diabrete incorrigível, preto feito peixe, era o terror da molecada, das vidraças e dos jardins públicos e particulares.
E aquela mãe negra, moça ainda, 34 anos mais ou menos, andava por ai, ao léu, vivendo de esmolas, o colchão às costas, gritando o nome do filho, diabrete de cinco anos, que descia de um balaústre e atravessava a rua, num relâmpago, a frente de automóveis velozes, pra puxar, pelo rabo, o angorá dorminhoco de uma janela.
- Filhiiiiiinho! Venha cá, meu filho!
Era um peregrinar, por essas ruas de meu Deus, desde as primeiras horas do dia. Colchão às costas feito mochila de soldado, escola encardida pendente do braço, as roupas em frangalhos, macilenta, sossegada, os olhos como que olhando pra dentro, aquela mãe, moça ainda, colhia por esmola, aqui, um pedaço de pão; ali, algumas laranjas;acolá, uma moeda; mais adiante, um desaforo....
Não era muito certa do juízo, coitada. E se não tinha palavras com que agradecer o pedaço de pão, as laranjas ou a moeda, também não tinha boca pra responder ou íntimo pra sentir ofensas. As suas palavras, a sua boca, o seu íntimo, tudo, tudo que dispunha, resumia-se naquele nome que era um poema santo a transformar em ouro os trapos do seu destino.
- Filhiiiiiinho! Venha cá, meu filho!
E a noite descia sobre a cidade. A jovem mãe, no entanto, só tomava conhecimento do reinado da Lua ao ouvir a voz do filho:
- Mamãe. Quando é que se dorme hoje?
Ela estancava surpresa. Ué...E procurava com os olhos, uma árvore, uma construção, um canto de parede.... E estendia o colchão, que era uns farrapos. E deitava-se, aconchegando o filho junto aos seios.
- Tadinho! Judiação, não é? Batendo rua o dia inteiro... Bi, bi, bi... Quem é que tem um filhinho mais bonito? ...
E dormia. Ao sereno, ao vento, à chuva...
Certo dia, lá ia aquela mãe, preta, maltrapilha, o colchão às costas, a sacola de esmolas no braço e o filho à frente, saracoteando, atirando pedras, escorraçando os cachorros e gatos de luxo das janelas, batendo nas crianças finas de gente rica, trepando nas grades, falando nomes feios. Um completo capetinha. Nada o intimidava. Nem a cara feia dos homens; nem a dentuça dos policiais de coleiras registradas. Talvez nem ouvisse aquela voz doce chamando-o carinhosamente:
- Filhiiiiinho! Venha cá, meu filho!
E ao atravessar a rua na disparada, é colhido, em cheio, por um caminhão. Corpo magro, levezinho, foi atirado a uma distância de vinte passos. Estava morto.
Foi um alvoroço. O chofer nem teve tempo de sair do carro. Em poucos momentos viu-se cercado de gente – homens, mulheres, crianças – ameaçando-o, mostrando-lhe os punhos cerrados...
Uma menininha de cor de rosa, muito corada, desvencilha-se da pajem entra correndo, em casa e com a voz embargada pelo soluço, abraça-se com uma bela senhora:
- O Filhinho, mamãe!
Devia ser uma louca aquela negra. Estava no meio da rua, ante a multidão boquiaberta debruçada sobre o cadáver ensangüentado de um menino. E falava baixinho, carinhosa:
- Tadinho! Judiação não é? Batendo rua o dia inteiro....Bi, bi, bi, bi .... Quem é que tem um filhinho mais bonito?
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