Conto do Magrebe

MAGREBE – Região que compreende Marrocos, Argélia e Tunísia, no norte da África.

Os árabes chegaram à região nos séculos VII e VIII e levaram consigo a língua e a religião. Até hoje, afora o árabe, esses países falam o berbere, uma língua indo-européia, ao passo que o árabe é uma língua semítica.

Antigamente, os habitantes da África do Norte chamavam-se líbios, que mais tarde, em bases geográficas, passaram a ter várias denominações: númidas a Leste, mouros a Oeste. Os seus descendentes chamam-se kabilas na Argélia e na Tunísia, tuaregues no Saara, berberes em Marrocos. Poderíamos reunir todos sob a designação de berberes.


HISTÓRIA DE EL-GHALIYA BINT MANSUR
(soberana dos sete mares e dos pássaros)

Laila el-Ghaliya bint Mansur morava no fundo do sétimo mar; e era uma águia dos mares que a levava ao dorso para atravessá-los Ela mandava em todos os pássaros. Dormia um ano e ficava acordada no outro. Fazia seu leito com metade da cabeleira e cobria-se com outra metade para dormir. Era virgem. Seu palácio tinha sete portas. A águia tinha suas chaves e guardava o palácio.

Um dia, um humano tomara conhecimento de todas essas coisas espantosas, apaixonou-se loucamente pela soberana dos sete mares e dos pássaros e disse:

- Àquele que me fizer encontrar essa maravilha, darei todo o ouro e toda a prata que tenho.

Um pássaro, entre os grandes pássaros, ouviu aquilo e disse:

- Vá à margem do mar com teu cavalo; sacrifica-o à águia dos mares e verás o que verás.

Mais que depressa, o homem fez o que lhe foi aconselhado; todos os pássaros chegaram e regalaram-se do sangue do cavalo, e depois exclamaram:

- Por que esta oferenda?
- É porque desejo que a águia dos mares me transporte ao palácio de El-Ghaliya bint Mansur, disse o homem.
- Eu te transportarei – disse a águia dos mares -, mas é preciso que me prepares sete refeições de carne e sete tubos de salgueiros cheios de sangue de cavalo para comer durante a viagem.

O homem preparou as provisões e montou sobre as espáduas da águia. Nutriu-a durante a viagem, fê-la comer e beber ao fim de cada mar, e quando a águia dos mares bebeu sete tubos de sangue e comeu as sete refeições de carne, encontraram-se diante da sétima porta da soberana.

A águia abriu as sete portas e pôs o homem num jardim maravilhoso, cheio de flores e frutos, e conduziu-o ao quarto de El-Ghaliya bent Mansur . A rainha dormia. Estava deitada sobre a metade de sua cabeleira e coberta por outra metade.

O homem não resistiu ao amor que o abrasava e engravidou-a. Depois tornou a partir como viera, sobre as asas da águia dos mares.

Quando seu sono de um ano acabou, a soberana dos sete mares e dos pássaros percebeu que o seu ventre havia se desenvolvido consideravelmente durante o sono. Então chamou a águia dos mares, guardiã das suas sete portas, e interrogou-a até que ela confessou sua culpa contando o que se havia passado.

Como ela reinava também sobre os afaríts e os djinns, os gênios, ela esfregou seu anel e convocou-os. Num piscar de olhos, seu palácio encheu-se de um exército às suas ordens.

Ela lhes disse:

- Vede todos, eu que vivo retirada, no fundo do mar, engravidei durante o meu sono e quero saber quem é o culpado para vingar-me.

Logo o exército se organizou: a águia dos mares, que tinha aberto as portas, partiu na frente para dirigir a comitiva. Chegaram a uma ilha e aí encontraram belas casas e belos jardins. A águia dos mares disse:

-Foi aqui que o homem montou nas minhas asas.

Então os djinns e os afaríts sopraram sobre a ilha uma tempestade assustadora que derrubou todas as árvores e fez cair todas as casas. Os habitantes assustados gritavam:

- Por quê? Por que isto?

Mas o exército de afarits e de djinns continuou a demolir tudo, depois a rainha adiantou-se e disse:

- É para vos punir por terdes violado a minha solidão e me haverdes feito crescer o ventre.

Então o culpado adiantou-se; era mais belo que o sol e gritou:

- Ó rainha, pune a mim somente, pois sou o único autor desse crime. Eu te amo e, se não tivesse te possuído no teu leito no fundo do sétimo mar, morreria de dor. Mata-me, pois, ó soberana dos sete mares e dos pássaros, dos djinns e dos afarits.

Mas El Ghaliya bent Mansur também era jovem e bela e não ficou insensível à beleza do seu amante. Assim, respondeu-lhe:

- Temos mais o que fazer na vida do que nos matarmos. Vem cuidar daquela que fizeste mãe.

Então a tempestade parou de soprar; o exército dos afarits e dos djinns deu meia-volta sob as ordens da rainha e daquele que ela vinha de escolher para marido e companheiro.

2 comentários:

Anônimo disse...

Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu

Fabricia Silva disse...

que linda iniciativa, Nilda!rs
Vou guardar aqui nos favoritos para te acompanhar... e qdo tiver algum conto te envio tbm. Bjs