Fadas negras nordestinas

Eu quero uma história nova
Não este conto de fadas brancas e ordinárias
Donas de nossas façanhas.
Eu quero um direito antigo
Engavetado em discursos
Contidos, paliativos
(cheios de maçãs e peras)
Bordados de culpa e crimes

Eu quero de volta, de pronto
As chaves dessas gavetas
Dos arquivos trancafiados
Onde jazem meus heróis
Uma “nova” história velha
Cheia de fadas beiçudas
Fazendo auê, algazarras
Com argolas nas orelhas,
De cabelo pixaim
Engasgando príncipes brancos
Com talos de abacaxi

Nossos Pés

Os pés da gente
Recebem do chão um fato
Uma nota, informação
Seja lá de quem, onde for.
Pelos pés
Os ancestrais se comunicam
Elevam elegun como pégasos
Estufam o peito, ou dobram a planta
Ou a ponta, quem sabe?
São capazes de ceifar, arremessar
Se fazem de outro pela metade
Impingem a vingança ou riso
Se dizem peixes e orientam
A queda, a varredura e...zap !
São assim os pés da gente
Capazes de nos levar, nos conduzir
Impor, fazer o sonho...
Ou esmo ancestralizar.
Ah, como são maravilhosos
Esses nossos pés pretos!

Lepê Correia - Caxinguelê

Um comentário:

luzia disse...

não gostei muito de "engasgando príncipes brancos/Com talos de abacaxi"