Uma Visão Comparada das Atuais Relações Raciais nos EUA e Brasil

O Museu Afro Brasil em parceria com o Consulado Geral dos Estados Unidos promove no próximo dia 24 de fevereiro, das 14 às 17 horas, o Fórum Uma Visão Comparada das Atuais Relações Raciais nos EUA e Brasil. O evento destaca as comemorações do Black History Month (Mês da História do Negro Americano), que todo mês de fevereiro mobiliza a comunidade afro-americana. O evento reunirá especialistas convidados dos dois países para compartilhar experiências e discutir sobre o tema. O Cônsul Geral, Thomas White e o Diretor-Curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araujo falarão na abertura do evento.


O painel de discussão contará com as participações de seis convidados: Dr. David Brooks, Cônsul Político – Professor de História; Dr. Calvin Watlington, Cônsul Administrativo - Advogado; Deneyse A Kirkpatrick, Vice-Cônsul- Mestre em Administração de Negocios da Universidade de Howard e Mestre em Administração da Universidade de Georgetown; Prof. Luiz Carlos dos Santos, Sociólogo e Pesquisador de Relações Raciais no Brasil; e Jackline Romio, pesquisadora USP/UFBA. A mediação será da Dra. Ligia Ferreira, presidente do Conselho do Museu Afro Brasil.
No encerramento do evento os participantes farão uma visita orientada à Exposição “Eu Tenho um Sonho: De King a Obama - A Saga Negra do Norte”, aberta em novembro de 2009.
O evento é dirigido aos funcionários do Consulado Geral dos Estados Unidos, estudantes da USP e de outras instituições e interessados nas questões raciais no Brasil.

Mês da História do Negro Americano - Todo mês de fevereiro é dedicado à História do Negro Americano. Nos EUA são rendidas homenagens às lutas e triunfos de milhões de cidadãos americanos diante dos mais difíceis obstáculos, como a escravidão, o preconceito, a pobreza, bem como às suas contribuições à vida cultural e política da nação.
O Mês da História do Negro Americano foi uma inspiração de Carter G. Woodson, acadêmico e historiador notável, que instituiu a Semana da História do Negro em 1926. Ele escolheu a segunda semana de fevereiro por coincidir com o aniversário do presidente Abraham Lincoln e do abolicionista Frederick Douglass.
De acordo com o censo, há mais de 41 milhões de habitantes negros nos Estados Unidos, incluindo os de mais de uma raça. Eles formam 13.5 por cento da população total norte-americana.
SERVIÇO


Evento: Fórum “Uma Visão Comparada das Atuais Relações Raciais nos EUA e Brasil”
Data: 24 de fevereiro, das 14 às 17 horas
Local: Museu Afro Brasil - Auditório Ruth de Souza
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Parque Ibirapuera
Inscrição: Gratuíta
Informações: (11) 5579-0593 - 5579-0593


Texto e foto: divulgação

Encontro de literatura e erotismo começa dia 20

No mês em que se comemora o carnaval, o Sesc Pinheiros traz o segundo Encontro de Literatura e Erotismo. A programação é composta por debates, leituras e oficinas e acontece no período de 20 a 27 de fevereiro, no Sesc Pinheiros, com entrada Catraca Livre.


proposta é levantar algumas reflexões sobre o corpo, suas transformações, exageros e sutilezas. O projeto Entrelinhas do Corpo quer estimular a imaginação, aguçar o senso crítico e, claro, a ousadia dos leitores. Alice Ruiz, Márcia Tiburi, Ivana Arruda Leite, Marcelino Freire, Xico Sá, Cláudio Willer e Luiz Roberto Guedes são os convidados desta edição. Para saber mais sobre os participantes.


confira a programação: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=5731


Imagem: O beijo de Gustav Klim

Biblioteca São Paulo é inaugurada

O Parque da Juventude, localizado na Zona Norte da capital paulista, ganhou novo espaço cultural. A área com 4.257 m² abriga a mais nova biblioteca pública da cidade, batizada de Biblioteca de São Paulo.

A inauguração foi feita no dia 8, pelo governador José Serra e pelo secretário de Cultura, João Sayad. Foram investidos R$ 12,5 milhões, sendo R$ 10 milhões do Governo do Estado de São Paulo e R$ 2,5 do Ministério da Cultura, por meio do Programa Mais Cultura.

No local funcionará também um centro de formação permanente para atualização e qualificação de profissionais da região. O novo espaço tem cinco áreas de atividades, divididas por faixas etárias.

A biblioteca conta com cerca de 30 mil livros, periódicos, CDs, DVDs e computadores com acesso à internet e recursos multimídia. Além disso, há auditório e área para exposições temporárias e permanentes, envolvendo atividades de incentivo à leitura. Pessoas com deficiência têm acesso integral aos espaços.

Nas áreas infantis, destinadas a crianças de até 3 anos e outra para as de 4 a 11, há poltronas, pufes coloridos e mesas de leitura, nas quais pais ou responsáveis podem acompanhar as brincadeiras que envolvem a leitura.

Para os jovens de 12 a 17 anos, foram instalados 30 computadores com acesso à internet, enquanto mesas, poltronas e pufes ocupam local próprio para leituras individuais ou em grupo.

A partir de agora, a Biblioteca de São Paulo passa a ser a sede do Sistema Estadual de Bibliotecas, criado em 1984 pelo Decreto n° 22.766, cujos objetivos são incentivar a integração das 941 bibliotecas públicas do Estado de São Paulo, propiciar a expansão de atividades culturais, facilitar o acesso às informações e fomentar condições de atendimento adequado aos leitores.

A Biblioteca São Paulo funcionará de terça a sexta-feira das 9h às 21h e, aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 19h. A biblioteca está localizada na avenida Cruzeiro do Sul, 2.630, com acesso pelo Metrô Carandiru.

Informações: (11) 2089-0800 /2089-0800

Coro Luther King no foyer do Auditório Ibirapuera

Em 2010, quando completa 40 anos, a Rede Cultural Luther King vai fazera série de concertos - CANTADOR, SÓ SEI CANTAR.Será no foyer do Auditório Ibirapuera, um sábado por mês, às 18 horas, gratuito.

A abertura dessa série será no dia 20 de fevereiro.Vá ao Ibirapuera, passeie um pouco e ouça um pouco de Janequin, Monteverdi,Osvaldo Lacerda, tradicional peruano, spirituals, ...

E no dia 22, venha cantar com a gente. Venha participar do oficina do som, coro de ingresso na Rede Cultural Luther King.Toda segunda-feira, das 19h30 às 21h, Rua Pelotas, 475.

Pré-requisito: gostar de música e querer cantar.

Literatura indígena e o tênue fio entre escrita e oralidade


Por Daniel Munduruku


A escrita é uma conquista recente para a maioria dos 230 povos indígenas que habitam nosso país desde tempos imemoriais. Detentores que são de um conhecimento ancestral aprendido pelos sons das palavras dos avôs e avós antigos estes povos sempre priorizaram a fala, a palavra, a oralidade como instrumento de transmissão da tradição obrigando as novas gerações a exercitarem a memória, guardiã das histórias vividas e criadas.


A memória é, pois, ao mesmo tempo passado e presente que se encontram para atualizar os repertórios e encontrar novos sentidos que se perpetuarão em novos rituais que abrigarão elementos novos num circular movimento repetido à exaustão ao longo de sua história.


Assim estes povos traziam consigo a memória ancestral. Essa harmônica tranqüilidade foi, no entanto, alcançada pelo braço forte dos invasores: caçadores de riquezas e de almas. Passaram por cima da memória e foram escrevendo no corpo dos vencidos uma história de dor e sofrimento. Muitos dos atingidos pela gana destruidora tiveram que ocultar-se sob outras identidades para serem confundidos com os dasvalidos da sorte e assim poderem sobreviver. Estes se tornaram sem-terras, sem-teto, sem-história, sem-humanidade. Estes tiveram que aceitar a dura realidade dos sem-memória, gente das cidades que precisa guardar nos livros seu medo do esquecimento.


Por outro lado – e graças ao sacrifício dos primeiros – outro grupo pode manter sua memória tradicional e continuar sua vida com mais segurança e garantia. Estes povos foram contatados um pouco mais tarde quando os invasores chegaram à Amazônia e tentaram conquista-la como já haviam feito em outras regiões. Tiveram menos sorte, mas também ali fizeram relativo estrago nas culturas locais e as tornaram dependentes dos vícios trazidos de outras terras. Foram enfraquecidos pela bebida, entorpecidos pela divindade cristã e envergonhados em sua dignidade e humanidade.Estes povos – uns e outros – estão vivos. Suas memórias ancestrais ainda estão fortes, mas ainda têm de enfrentar uma realidade mais dura que de seus antepassados. Uma realidade que precisa ser entendida e enfrentada. Isso não se faz mais com um enfrentamento bélico, mas através do domínio da tecnologia que a cidade possui. Ela é tão fundamental para a sobrevivência física quanto para a manutenção da memória ancestral.


Claro está que se estes povos fizeram apenas a “tradução” da sociedade ocidental para seu repertório mítico, correrão o risco de ceder “ao canto da sereia” e abandonar a vida que tão gloriosamente lutaram para manter. É preciso interpretar. É preciso conhecer. É preciso se tornar conhecido. É preciso escrever – mesmo com tintas do sangue – a história que foi tantas vezes negada


A escrita é uma técnica. É preciso dominar esta técnica com perfeição para poder utiliza-la a favor da gente indígena. Técnica não é negação do que se é. Ao contrário, é afirmação de competência. É demonstração de capacidade de transformar a memória em identidade, pois ela reafirma o Ser na medida em que precisa adentrar no universo mítico para dar-se a conhecer ao outro


O papel da literatura indígena é, portanto, ser portadora da boa noticia do (re)encontro. Ela não destrói a memória na medida em que a reforça e acrescenta ao repertorio tradicional outros acontecimentos e fatos que atualizam o pensar ancestral.


Há um fio muito tênue entre oralidade e escrita, disso não se duvida. Alguns querem transformar este fio numa ruptura. Prefiro pensar numa complementação. Não se pode achar que a memória não se atualiza. É preciso notar que ela – a memória – está buscando dominar novas tecnologias para se manter viva. A escrita é uma dessas técnicas, mas há também o vídeo, o museu, os festivais, as apresentações culturais, a internet com suas variantes, o rádio e a TV. Ninguém duvida que cada uma delas é importante, mas poucos são capazes de perceber que é também uma forma contemporânea de a cultura ancestral se mostrar viva e fundamental para os dias atuais.


Pensar a Literatura Indígena é pensar no movimento que a memória faz para apreender as possibilidades de mover-se num tempo que a nega e que nega os povos que a afirmam. A escrita indígena é a afirmação da oralidade. Por isso atrevo-me a dizer como a poeta indígena Potiguara Graça Graúna


Ao escrever,

dou conta da minha ancestralidade;

do caminho de volta,

do meu lugar no mundo.


Diversidade e riqueza cultura

O Brasil é detentor de uma riqueza cultural muito expressiva quando falamos das populações indígenas. São reconhecidos atualmente 230 povos diferentes habitando todos os estados brasileiros com exceção do Piauí. São faladas 180 línguas e dialetos divididos em troncos, famílias e línguas isoladas.Segundo o IBGE existem cerca de 750 mil indígenas por todo o Brasil e a situação de cada povo é peculiar com relação ao tempo de contato, situação fundiária, atendimento às necessidades básicas.


A Funai acredita que ainda haja entre 30 e 50 grupos indígenas considerados isolados do contato com a sociedade brasileira.


As principais dificuldades que enfrentam estão ligadas à terra, mas hoje há uma crescente demanda por cursos superiores e projetos de economia autosustentável.


A literatura indígena é um fenômeno relativamente recente, mas já é possível identificar vários autores com projeção nacional e internacional. Alguns livros já fazem parte de acervos de bibliotecas internacionais.


Alguns autores com destaque nacional e internacional:Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã, Olívio Jekupé, Kaká Werá Jekupé, Kanátyo Paraxó, Ailton Krenak.


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