Em busca do tempo perdido

Não é a literatura com a origem das nossas pesquisas, mas com uma sabedoria que enriquece nossas buscas....

“Mas, quando nada subsiste de um passado antigo, depois da morte dos seres, depois da destruição das coisas, sozinhos, mais frágeis, porém mais vivazes, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis, o aroma e o sabor permanecem ainda por muito tempo, como almas, chamando-se, ouvindo, esperando, sobre as ruínas de tudo o mais, levando sem se submeterem, sobre suas gotículas quase impalpáveis, o imenso edifício das recordações”. (PROUST, 1993. p.29)


PROUST, Marcel. Em busca do tempo perdido. No caminho de Swan. Vol.I. Trad. Fernando Py. Rio de Janeiro: Ediouro, 1993.

Como os índios vêem o céu? Conhecendo um Planetário Indígena

Planetário indígena integra programação especial da Semana de Arte e Cultura
na Estação Ciência

O céu, o universo e seus elementos, como estrelas, constelações, galáxias, planetas, sempre aguçaram a curiosidade do ser humano desde os tempos mais remotos. Homens comuns, filósofos e cientistas de todos os tempos já tentaram desvendar os mistérios dessa imensidão azul e de seus pontinhos brilhantes, mesmo estando eles tão distantes de nós.

De 18 a 26 de setembro os visitantes da Estação Ciência poderão entender melhor como os povos indígenas, nativos de nossa terra, vêem o céu e interpretam seus elementos e como isso interfere na vida desse povo, em sua cultura, religião e atividades rotineiras como caça e agricultura.

O planetário da Estação Ciência, que faz parte de seu acervo permanente e tem apresentação própria, se “transformará” durante esses dias, através de apresentações especiais que mostrarão ao público a visão dos índios acerca dos mistérios do Universo. As sessões do planetário indígena acontecerão durante todo o horário de funcionamento da Estação Ciência.

As apresentações especiais acontecerão por conta da Semana de Arte e Cultura, promovida pela Universidade de São Paulo em diversos órgãos da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária. Outras atividades integram a programação e estão todas disponíveis no site http://www.eciencia.usp.br/.

Serviço:
PLANETÁRIO INDÍGENA - Como os índios vêem as constelações.
Data: 18 a 26/09
Horário: das 8h às 17h (apresentações de hora em hora)
Local: Estação Ciência – USP
(R. Guaicurus, 1394 – Lapa, São Paulo)
Ingressos: R$ 4 – inteira (incluindo todas as exposições da Estação Ciência)
Mais informações: www.eciencia.usp.br

Curso: Como ler Machado de Assis

O curso abordará contos e trechos de romances do escritor e será dividido por temas. A finalidade é fazer com que o aluno encontre diálogo e coerência no modo de pensar do escritor e o localize como grande observador da sociedade, o que o torna extremamente atual.

Aula 1 - O tema do adultério
Memórias póstumas de Brás Cubas, D. Casmurro e os contos: A cartomante, A senhora do galvão, Noite de almirante , Singular ocorrência...

Aula 2 – O tema do apadrinhamento e das oportunidades
Memórias póstumas de Brás Cubas, D. Casmurro, Quincas Borba, conto: O caso da vara.

Aula 3 - A maldade humana, a dissimulação, vaidade e a política :
Quincas Borba e Contos: A igreja do Diabo, o Enfermeiro, Uma senhora...

Aula 4 -O amor e o ciúme
D. Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Uns braços, Memorial de Aires...

Cada aula com duração de 2 encontros de 2hs.

Professora: Márcia Lygia Guidin
Duração : 8 encontros
Dias : quartas-feiras , das 18:30 às 20:30 horas
Datas: 22,29 de Setembro 6, 13, 20, 27 de Outubro 3 e 10 de Novembro.
Local : Fundação Ema Klabin - Rua Portugal 43, Jardim Europa
Valor : R$ 280,00 na inscrição + uma parcela de R$ 280,00

Marcia Ligia Guidin - Mestre e Doutora em Letras (Literatura Brasileira) pela FFLCH da USP. Professora de Teoria literária, Literatura brasileira e Edição de texto. Editora externa e packager para Casas Editoriais em São Paulo. Palestrante para as áreas de Letras, Educação e Produção de textos.

Observação: Toda a obra completa de Machado de Assis está disponível na internet no site www. machado.mec.gov.br

Besouro Cordão-de-ouro

O espetáculo tem o cuidado de humanizar a figura de Besouro, sem mitificá-lo; é o reconhecimento da cultura negra e o resgate de todas as etnias brasileiras

Com entrada gratuita entre os dias 16 e 26 de setembro de 2010, de quinta-feira a sábado, às 19h, e domingo, às 18h, acontece no Grande Salão da Caixa Cultural SP (Sé) o espetáculo musical Besouro Cordão-de-Ouro. A apresentação patrocinada pela Caixa Econômica Federal é em homenagem ao capoeirista e herói popular Besouro, que viveu e construiu sua trajetória em terras baianas no final do século XIX e início do século XX. O evento mostra, de maneira lúdica, a trajetória, filosofia, prática e música do mestre - um personagem brasileiro, tão rico e pouco explorado - e conta um pouco da história do Brasil e da nossa formação, com suas raízes culturais na música, na dança e no ritual. Besouro é um símbolo do Brasil, símbolo de coragem, qualidade, criatividade e resistência; um símbolo da cultura que forma o ser brasileiro.

Waldemar de tal, apelidado Besouro Cordão-de-Ouro, foi o maior capoeirista de todos os tempos da Bahia de Todos-os-Santos. Nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira. Sua legenda foi construída em atos de bravura e destemor contra fazendeiros tiranos, inconformados com a abolição da escravatura no Brasil. Sua saga, contada pelo povo, correu o país inteiro. Era compositor de samba-de-roda e chula. Um de seus sambas, “Canto do Besouro”, teve um trecho usado por um dos mais famosos compositores cariocas dos anos 30, Noel Rosa: “Quando eu morrer/ não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela”.

Atento à política da região, impunha respeito e temor aos poderosos, naqueles tempos turbulentos de transição de século, na velha Bahia, a primeira capital do Brasil. O povo deu curso à sua lenda. A peça a evoca, em versos e música, no embalo dos ritmos que inspiraram Besouro, tendo a capoeira, na qual foi mestre, como pano de fundo coreográfico.

A peça conta várias histórias do Mangangá (outro apelido de Besouro), através de outros mestres capoeiristas conhecidos: Canjiquinha, Bimba, Barroquinha, Caiçara, Pastinha, etc. (transformados em personagens) para seus discípulos mais novos e para o público. O palco se transforma numa roda de atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, e no fio condutor da música – e música brasileiríssima – desfia-se a vida de Besouro Cordão-de-Ouro, o Exu Kerekekê dos candomblés baianos.

O espetáculo é uma homenagem à cultura negra, contando por intermédio de um de seus mitos mais populares parte importante e pouco conhecida da história do povo do Brasil.
A direção geral é de João das Neves, a dramaturgia e composições inéditas de Paulo César Pinheiro e direção musical de Luciana Rabello.

Sua estreia foi no Rio de Janeiro, em dezembro de 2006, no Centro Cultural Banco do Brasil, onde realizou temporada de sucesso - de público e de crítica. Bárbara Heliodora, a mais rigorosa crítica teatral brasileira, considerou a peça “um dos espetáculos mais bonitos e emocionantes dos últimos tempos”. E ainda: “Um momento precioso de teatro e de descoberta do Brasil”. (O Globo, 21.12.2006). Desde sua estreia no Rio de Janeiro, o espetáculo recebeu diversos convites, se apresentando em vários lugares do país. Fez temporada na Casa França Brasil (RJ) e Sesc Pompéia (SP), participou dos maiores festivais de teatro do Brasil como: Festival de Teatro de Curitiba – FTC (PN), Festival de Artes Negras – FAN (MG), Festival Internacional de Teatro de Londrina – FILO (SC) e Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto – FIT (SP). Foi convidado para fazer o Circuito Palco Giratório pelo SESC Nacional se apresentando nos seguintes SESCs: SESC Fortaleza, SESC Cuiabá, SESC Recife, SESC Porto Alegre, SESC Brasília, SESC Araraquara, SESC Santos, SESC Salvador e SESC Rio de Janeiro. Apresentou-se também na Caixa Cultural de Brasília e Curitiba, no Circuito Cultural do Banco do Brasil, em Fortaleza, além de ser convidado para fazer a comemoração do aniversário da Fundação Palmares e pela Secretaria de Cultura de São Paulo para realizar o projeto Pedrinho.

O espetáculo foi indicado para o Prêmio Contigo de Teatro 2007 nas categorias: melhor cenário e melhor espetáculo. Foi indicado também para o Prêmio Shell 2007 nas categorias: melhor diretor, melhor cenário e melhor música, sendo vencedor desta última categoria.

Sobre o elenco:
O elenco, todo composto de atores negros, foi escolhido em workshops realizados no CCBB, onde aconteceu a primeira montagem (dezembro de 2006 e janeiro de 2007): Anna Paula Black, Cridemar Aquino, Letícia Soares, Valéria Mona, Iléa Ferraz, Raphael Sil, William de Paula, Wilson Rabelo, Marcelo Capobiango, Maurício Tizumba e Sérgio Pererê - os dois últimos vindos especialmente de Belo Horizonte para atuar no espetáculo. Maurício Tizumba e Sergio Pererê são músicos, cantores, compositores e atores. Tizumba tem quatro CDs lançados (o último, Moçambique, é de 2003) e, além de atuar e dirigir a Cia. Burlantins, fez o espetáculo Grande Otelo - Êta Moleque Bamba. Já Pererê lançou seu primeiro CD, Linha de Estrelas, e participa também do grupo Tambolelê. No elenco, estão também dois capoeiristas cariocas: Gilberto Santos da Silva "Laborio" e Victor Alvim "Lobisomem".
O elenco contou com dois grandes mestres na preparação corporal e coordenação de capoeira, Mestre Casquinha e Mestre Camisa, para transmitir-lhes os princípios desta arte ancestral e futura, que é a expressão da liberdade de um povo e deve ser praticada com reverência.
Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Metido em política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas. Existe um samba, chamado Canto do Besouro, cujos versos de sua autoria "Quando eu morrer/Não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela" fazem parte desse samba conhecido de Noel Rosa, no qual nosso poeta escreveu a segunda parte. Esse refrão também foi usado por Paulo César Pinheiro em Lapinha (em parceira com Baden Powell) - sua primeira música gravada e sucesso na voz de Elis Regina - com a qual venceu um dos mais concorridos festivais de música popular, a Bienal do Samba, da TV Record, em 1968, hoje um clássico da MPB.

SERVIÇO:
Espetáculo BESOURO CORDÃO DE OURO
Datas: de 16 a 26 de setembro de 2010
Horário: de quinta-feira a sábado, às 19h, domingo, às 18h
Local: CAIXA Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 – Grande Salão – São Paulo (SP)
Entrada: franca (os ingressos poderão ser retirados na bilheteria com uma hora de antecedência)
Capacidade: 80 lugares
Duração: 80 minutos
Classificação etária: livre
Informações - Tel: (11) 3321-4400
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

Ana em Veneza

Veneza, verão de 1890. Três pessoas se encontram; Júlia, mãe de Heinrich e Thomas Mann, que passa férias com a família de Lübeck; a escrava negra Ana, antiga ama de Júlia; e o compositor brasileiro Alberto Nepomuceno. Eles falam sobre os seus passados, tão diferentes, sobre exílio, nacionalismo e terra natal, sobre identificação e identidade culturais, sobre a crise e os dilemas do 'fin-de-siècle. É uma ficção literária consciente, uma espécie de parábola, que aponta para a então nova crise de identidade cultural que levaria aos deslocamentos e à miscigenação globais dos povos no século XX.

Ana Em Veneza, 658 pág.
Autor: TREVISAN, JOAO SILVERIO
Editora: RECORD
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA - ROMANCES